Relogio Com Comentario

VERSÍCULO DO DIA

terça-feira, 30 de outubro de 2012

CALVINISMO & ARMINIANISMO

S O B E R A N I A   DE   D E U S  -  L I V R E    A R B Í T R I O  (Rm 9:10-21.)
E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? 
A SOBERANIA DE DEUS E O LIVRE ARBÍTRIO DO HOMEM.
Esse tópico trata do relacionamento de Deus com o homem, feito à sua imagem, conforme a sua semelhança. Nesta condição é indispensável e forçoso que o homem tenha liberdade para agir ou deixar de agir; fazer ou deixar de fazer; pensar ou deixar de pensar; ser ou não ser; ter ou não ter, dentro de suas limitações espirituais, emocionais ou físicas. Como entender a soberania de Deus que é a expressão de sua onipotência ante as ações do homem que em sua grande maioria rejeita o Criador e Salvador? Pode o homem ser realmente livre, diante do Deus onipotente? Se Deus é soberano, por que Ele não impede que o homem, em seu estado pecaminoso, cometa tantos desatinos e pecados? É o que desejamos apresentar, à guisa de respostas, com fundamento na Palavra de Deus.  
A VONTADE SOBERANA DE DEUS
A vontade de Deus é soberana. No entanto, Ele não é arbitrário. Em seu relacionamento com o homem, apresenta duas formas de expressar sua vontade. Uma de modo absoluto, diretivo, inexorável, como expressão de sua onipotência; outra, de modo permissivo, abrindo espaço para o homem agir, segundo a liberdade que lhe é concedida desde a criação, para que o mesmo seja, ao mesmo tempo, livre, responsável e responsabilizado por suas ações. 
Diz Paulo: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gl 6.7-9). Parece-nos bem claro que o homem tem liberdade para “semear”, ou seja, agir, fazer ou praticar algo, seja certo, ou errado. Assim, pode ser santo ou ímpio. O apóstolo deixa bem patente que o que semear “na carne”, ou seja, de acordo com a natureza carnal, herdada do pecado original, “ceifará corrupção”, isto é, a condenação. Não será salvo. Não porque Deus o predestinou, de modo arbitrário. Mas porque ele semeou. 
Por outro lado, se o homem semear “no Espírito”, ou seja, der valor ao relacionamento espiritual com Deus, “ceifará a vida eterna”. Será salvo (Jo 3.16; 5.24). No Apocalipse, lemos: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Ap 3.20; grifo meu). Deus sempre permite um “se”, no seu relacionamento com o homem. Se ele quer viver com Deus, na dimensão terrena, viverá com Deus, na eternidade. Do contrário, se não quer saber de Deus, viverá eternamente longe de sua presença. É uma escolha pessoal. Um direito. E uma grande responsabilidade, com repercussões para toda a eternidade. 
1) Vontade Permissiva de Deus
Por que Deus não impede que o homem faça o mal? Por que Deus permite tanta violência? Quando alguém faz o bem, mesmo sem crer em Deus, está sendo teleguiado por Ele? Seriam os homens “fantoches de Deus”, como diz certo escritor? Está em foco o livre-arbítrio concedido por Deus ao homem, para que este faça o que desejar e puder fazê-lo até mesmo o mal. Deus pode impedir o mal. Porém, pela sua vontade permissiva, faculta ao homem escolher entre o bem e o mal. Se não houvesse permissão para o mal, não haveria também liberdade concedida. Seria uma contradição. 
2) A Vontade Diretiva de Deus
Quando algo é visto por Deus como uma coisa que deve ser impedida e o deseja impedir, Ele usa sua vontade diretiva: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13) “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre” (Ap 3.7). 
Há quem se inquiete, e indague: Por que Deus não evita o mal se Ele tem todo o poder? Diante desse dilema, entre a permissão de Deus para a existência do mal, e seu poder para evitá-lo, deve-se considerar que a longanimidade de Deus é a paciência para com os pecadores, dando-lhes oportunidade para o arrependimento. Isso faz parte de sua relação com suas criaturas. Em sua soberania, Ele pode alargar o tempo para que a humanidade tome conhecimento do seu amor, e não só de sua justiça. Não obstante a sua soberania, Ele não age de modo arbitrário sobre os homens, criados à sua imagem, conforme a sua semelhança, para serem dominadores (Gn 1.26). 
A SOBERANIA E OS DECRETOS DE DEUS
São também chamados de “O Conselho de Deus”, ou “o Plano de Deus”; ou ainda, “As Obras de Deus”. Refere-se aos propósitos de Deus em relação aos homens, ao universo, e a todas as coisas, e de modo especial, à salvação da humanidade. “Este aspecto pode ser dividido em 1) seus decretos 2) sua providência 3) conservação”.7 Neste tópico, não estudamos a natureza de Deus, em si, mas as suas obras, as suas ações, que constituem os seu plano divino (Ef 1.9; 3.11). 
1.EM RELAÇÃO AO UNIVERSO
Segundo Brancroft: 
Esse plano compreende todas as coisas que já foram ou serão; suas causas, condições, sucessões e relações, e determina sua realização certa. O Plano de Deus inclui tanto o aspecto eficaz como o aspecto permissivo da vontade de Deus. Todas as coisas estão incluídas no plano de Deus, porém algumas Ele as origina e outras Ele as permite. No aspecto eficaz do plano de Deus incluímos aqueles acontecimentos que Ele resolveu efetuar por meio de causas secundárias ou pela sua própria agência imediata. No aspecto permissivo de Deus, incluímos aqueles acontecimentos que Ele resolveu permitir que fossem efetuados por livres agentes.8 
Nessa conceituação, vemos a vontade diretiva (ou decretatória), e a vontade permissiva de Deus.
Concordamos perfeitamente quanto ao decreto divino, em seus aspectos amplo e geral, em relação ao universo e às coisas criadas, bem como aos acontecimentos que ocorrem, seja por vontade diretiva, seja por vontade permissiva de Deus. A Bíblia tem inúmeras referências que corroboram esse entendimento: “Este é o conselho que foi determinado sobre toda esta terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem pois o invalidará? E a sua mão estendida está; quem, pois, a fará voltar atrás?” (Is 14.26,27) “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu. A tua fidelidade estende-se de geração a geração; tu firmaste a terra, e firme permanece. Conforme o que ordenaste, tudo se mantém até hoje; porque todas as coisas te obedecem” (Sl 119.89-91). 
2. EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS, COMO AGENTES LIVRES 
Neste aspecto, desde muitos séculos, há grandes discussões teológicas sobre a intervenção de Deus na vontade do homem, segundo seu decreto, sobretudo no que tange à salvação. De um lado, há os que crêem firmemente que Deus, em sua soberania, elegeu e predestinou algumas pessoas para serem salvas, e outras, para serem condenadas. Dentre os ensinos teológicos sobre os decretos de Deus em relação aos homens, destacamos os seguintes:
2.1. CALVINISMO - PREDESTINAÇÃO ABSOLUTA
É a doutrina formulada por João Calvino (1509-1564). Teólogo protestante francês, formou-se em filosofia na Universidade de Paris. Estudou direito, mas não se dedicou à vida jurídica. Mudou-se para a Suíça, onde escreveu sua grande obra, Institutas. Sua doutrina defende a idéia da predestinação absoluta, fundamentada na soberania de Deus. O homem nada pode fazer para ser salvo; nem mesmo ter fé, pois nessa interpretação, a fé, a vontade, a decisão, e tudo o que diz respeito à salvação, depende de Deus. Pode ser resumida em cinco pontos: 
(1) Total depravação. “O homem natural não tem condição de entender as coisas de Deus; Jamais poderá salvar-se, a menos que Deus lhe infunda a fé. Sua depravação faz parte de sua natureza (Jr 13.23; Rm 3.10-12; 1 Co 2.14; Ef 1.3);”
Segundo essa doutrina, nem a fé para a salvação pode o homem ter; é necessário que Deus lhe conceda. 
(2) Eleição incondicional. Ensina que “Deus elegeu somente alguns para serem salvos; Cristo morreu apenas pelos eleitos” (Jo 6.65; At 13.48; Rm 8.29; Ef 1.4,5; 1 Pe 2.8,9); 
Esse é um ponto fundamental da doutrina esposada por Calvino. Aceitá-la é concordar que Deus faz discriminação, ou acepção de pessoas; mais crucial ainda é aceitar que Deus elege pessoas para serem salvas, desde o ventre; enquanto predestina a maior parte, irremediavelmente, para a condenação eterna; tais assertivas, não obstante arrimarem-se em referências bíblicas, contrariam o sentido geral da Palavra de Deus, bem como contradizem de forma contundente o caráter de Deus revelado nas Escrituras.
(3) Expiação limitada (ou particular). “A salvação, ainda que para todos só é alcançada pelos eleitos” (Jo 17.6,9,10; At 20.28; Ef 5.25; Tt 3.5). 
Se a eleição condicional colide com a idéia de um Deus justo, que não faz acepção de pessoas, a idéia da expiação limitada faz do sacrifício de Cristo uma encenação terrível. Se alguns já nascem, de antemão eleitos, certamente, a Bíblia deveria afirmar que Jesus viera ao mundo para salvar apenas os eleitos. 
(4) Graça irresistível. “Para os eleitos, a graça é irresistível. Mesmo que pequem, serão salvos; para os não-eleitos, a graça não lhes alcança; mas agem livremente”. 
Um pouco de leitura da Bíblia, confrontando passagens de seu conteúdo nos mostram que a graça de Deus se manifestou a todos os homens e não apenas a um seleto grupo de eleitos, ou predestinados. 
(5) Perseverança dos salvos. Segundo Calvino, “o Espírito Santo faz com que os eleitos perseverem. Não são eles que têm a decisão de perseverar. Eles não podem perder a salvação. É impossível um eleito se perder”.
Essas são as alegações usadas pelos calvinistas para fundamentar a doutrina da predestinação absoluta.
Strong afirma que os “decretos de Deus podem ser divididos em: relativos à natureza, e aos seres morais. A estes chamamos preordenação, ou predestinação; e destes decretos sobre os seres morais há dois tipos: o decreto da eleição e o da reprovação […]”9 
A visão de Strong é calvinista. Admite que Deus predestina uns para serem salvos, queiram ou não; e outros, para a perdição eterna, queiram ou não. Parece-nos que essa doutrina contraria diversos atributos naturais de Deus, tais como o da justiça, do amor, e da bondade divinos. A Bíblia diz: “Pois o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas” (Dt 10.17). “E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34). “Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” (Rm 2.11). 
O Deus que não faz acepção de pessoas também reprova quem o faz: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (Tg 2.1). “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redargüidos pela lei como transgressores” (Tg 2.9). “E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef 6.9). Assim, se Deus não faz acepção de pessoas, não podemos aceitar que alguns já nasçam predestinados para a salvação, e outros, eleitos, já nasçam predestinados para a perdição.
Strong, mesmo defendendo a predestinação, diz que “Nenhum decreto de Deus reza: “Pecarás”. Porque 1) nenhum decreto é dirigido a você; 2) nenhum decreto sobre você diz: “você fará”; 3) Deus não pode fazer pecar, ou decretar fazê-lo. Ele somente decreta criar, e Ele mesmo age, de tal modo que você queira, de sua livre escolha, cometer pecado. Deus determina sobre os seus atos prever qual será o resultado dos atos livres das suas criaturas e, deste modo, determina os resultados” (grifos meus).
Ora, se Deus “não pode fazer pecar”, mas condena pessoas desde o ventre à condenação, elas terão que pecar, para que se cumpra o decreto condenatório. Do contrário, se não pecarem, como serão condenadas? Por outro lado, se as pessoas “de sua livre escolha”, podem cometer ou não, o pecado, não vemos como harmonizar o livre-arbítrio com a doutrina da predestinação. De fato, os que defendem a predestinação absoluta negam que Deus tenha dado livre-arbítrio ao homem. Simplesmente, os homens se comportariam como se fossem marionetes do destino traçado por Deus. Nos parece que a predestinação absoluta equivale ao fatalismo dos árabes, que dizem “maktub”, “está escrito”. Sua aceitação entra em conflito com os atributos morais de Deus, de bondade, amor e justiça. Por mais que os teólogos defensores dessa doutrina argumentem, buscando embasamento bíblico, jamais poderão convencer que Deus discrimina uns em detrimento de outros, com base no caráter de Deus, revelado nas Escrituras Sagradas.
2.2. ARMINIANISMO - A PREDESTINAÇÃO RELATIVA
Doutrina pregada por Jacobus Arminius (1560-1609). Foi sucessor de Calvino, e concluiu que o teólogo francês se equivocara. Sua doutrina também pode ser resumida em cinco pontos: 
(1) A predestinação de Deus é condicional (e não absoluta). “Deus escolheu baseado em sua presciência. Qualquer pessoa que crê pode ser salva” (Dt 30.19; Jo 5.40; Tg 1.14; 1 Pe 1.2; Ap 3.20). 
Em todos os livros da Bíblia, percebe-se que o relacionamento de Deus com o homem exige condições; se o homem as cumpre, é abençoado; se não as cumpre, é penalizado. Se uns nascessem predestinados para a vida eterna, não adiantaria pregar o evangelho, conforme a Grande Comissão (Mc 16.15,16);
(2) A expiação é universal. “O sacrifício de Jesus foi a benefício de todos os pecadores. Mas só os que crêem nEle serão salvos” (cf. Jo 3.16; 12.32; 17.21; 1 Tm 2.3,4; 1 Jo 2.2); 
Os textos bíblicos referenciados são de uma clareza cristalina, quando se referem à expiação; esta é tão profunda que tem efeito presente e até retroativo (Hb 9.15). Diz Paulo sobre Jesus: “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Rm 3.25; grifos meus).
(3) Livre-arbítrio. “O pecado passou a todos os homens, mas as pessoas podem crer, arrepender-se e a aceitar a Cristo como Salvador” (Is 55.7; Mt 25.41,46; Mc 9.47,48; Rm 14.10,12; 2 Co 5.10).
Como já foi exposto neste capítulo, o livre-arbítrio é condição indispensável para que seja real o fato de o homem ter sido criado conforme a imagem e a semelhança de Deus, pois um ser teleguiado, manipulado por cordões espirituais, não passaria de uma marionete do Criador. 
(4) O pecador pode eficazmente rejeitar a graça de Deus. “Deus deseja salvar o pecador, e tudo provê para que ele alcance a salvação. Mas, sendo ele livre, pode rejeitar os apelos da graça” (Lc 18.23; 19.41,42; Ef 4.30; 1 Ts 5.19). Se não houver essa condição, não existe livre-arbítrio, característica fundamental do ser criado por Deus, conforme comentário no item (3).
(5) Os crentes em Jesus podem cair da graça. Se o crente, uma vez salvo, não vigiar e orar (Mt 26.41), e não buscar a santificação (Hb 12.14; 1 Pe 1.15), poderá cair da graça e perder-se eternamente, se não tiver oportunidade de reconciliar-se com Deus. Por isso, Jesus disse que quem “perseverar até ao fim será salvo” (Mt 10.22; ver também Lc 21.36; Gl 5.4; Hb 6.6; 10.26,27; 2 Pe 2.20-22). 
A doutrina arminiana nos parece coerente com o plano de Deus para os homens, como seres livres. Podem aceitar, ou podem rejeitar a graça de Deus. Só sendo livres, é que se justifica a semelhança moral do homem com seu Criador. É também, a única interpretação que se coaduna com o Ser de Deus, e seu caráter, revelado na Bíblia Sagrada. Deus dá liberdade ao homem, dentro dos limites estabelecidos em seu plano divino para toda a humanidade. A soberania de Deus impõe os limites. O livre-arbítrio concedido por Deus implica em responsabilidade do homem perante o Criador. Do contrário, Deus seria um tirano. E o homem seria seu títere.10 
3. ELEIÇÃO E PREDESTINAÇÃO - UMA ABORDAGEM COMPREENSIVA
Eleição significa “Ato de eleger; escolha, opção, preferência, predileção”.11 A doutrina calvinista entende que Deus elegeu somente um grupo de pessoas, e predestinou-as para serem salvas. É a visão da eleição e da predestinação absolutas. Os arminianos entendem que existe eleição e predestinação, sim, mas no sentido relativo. Esta visão parece-nos mais consentânea com a maneira pela qual Deus exerce sua soberania, ao mesmo tempo em que assegura a liberdade do homem. 
A predestinação absoluta esbarra em sério conflito doutrinário e moral. Deus não faz acepção de pessoas, e o Deus que não faz acepção de pessoas também reprova quem o faz: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (Tg 2.1; grifos meus). “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redargüidos pela lei como transgressores” (Tg 2.9; grifos meus); “E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef 6.9; grifos meus). Assim, se Deus não faz acepção de pessoas, não podemos aceitar que alguns já nasçam predestinados para a perdição, e outros, eleitos, já nasçam predestinados para a salvação. Tal idéia contradiz o caráter de Deus, revelado nas Escrituras.
3.1. O SIGNIFICADO DA ELEIÇÃO (gr.eklegoe)
Há diversos e variados pontos de vista sobre o tema da eleição. No entanto, evitando as abordagens que levam às contradições entre a soberania de Deus e a liberdade do homem, entendemos que eleição é a “escolha por Deus daqueles que crêem em Cristo”. Diz a Bíblia: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.29,30; 9.6-27; 11.5,7,28; Cl 3.12).
Isso nos leva às seguintes conclusões:
(1) Os eleitos, segundo a presciência de Deus, o são na união com Cristo. Deus “nos elegeu nele” (Ef 1.4). Antes de alguém aceitar a Cristo, a eleição não tem qualquer sentido, ou efeito;
(2) Deus nos predestinou para sermos “à imagem de seu Filho”, conhecendo-nos, como eleitos, “dantes”, isto é “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4). Essa eleição tem sentido “profético”, só se tornando real, a partir da união com Cristo.
(3) Cristo é o Primeiro (Mt 12.18; 1 Pe 2.4). “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). Jesus foi o primogênito em tudo. Foi o “primogênito de toda a criação” (Cl 1.15). “E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1.18); “o primogênito dos mortos” (Ap 1.5).
(4) “A eleição em Cristo é em primeiro lugar coletiva, i.e., a eleição de um povo (Ef 1.4,5,7,9; 1 Pe 1.1; 2.9). Os eleitos são chamados ‘o seu [Cristo] corpo’ (Ef 1.23; 4.12), ‘minha igreja’ (Mt 16.18), ‘povo adquirido’”12 - eleito ¾ por Deus (1 Pe 2.9; grifo meu). Logo, a eleição é coletiva e abrange o ser humano como indivíduo, somente à medida que este se identifica e se une ao Corpo de Cristo, a Igreja verdadeira (Ef 1.22,23).
 (5) O eleito pode perder a salvação. Pode cair da graça, no dizer de Armínio. Precisa perseverar até o fim (Mt 10.22); precisa vigiar e orar (Mt 26.41); precisa buscar a santificação (Hb 12.14; 1 Pe 1.15); ver também Lc 21.36; Gl 5.4; Hb 6.6; 10.26,27; 2 Pe 2.20-22). A salvação só é eterna, se o crente permanecer debaixo da graça de Deus, em comunhão com Jesus.
3.2. O SIGNIFICADO DA PREDESTINAÇÃO (gr. proorizo; lat. praedestinatione) 
Predestinação tem o significado de “decidir de antemão”. Em termos bíblicos e teológicos, a predestinação está relacionada à eleição. “A eleição é a escolha feita por Deus,’em Cristo’, de um povo para si mesmo (a Igreja verdadeira). A predestinação abrange o que acontecerá ao povo de Deus (todos os crentes) genuínos em Cristo”.13 Com base na Palavra de Deus, podemos discriminar dez característica dos eleitos em Cristo.
(1) Deus predestina os eleitos a serem: 
(a) chamados (Rm 8.30); 
(b) justificados (Rm 3.24); 8.30); 
(c) glorificados (Rm 8.30); 
(d) conformes à imagem do Filho (Rm 8.29);
(e) santos e irrepreensíveis (Ef 1.4);
(f) adotados como filhos (Ef 1.5);
(g) redimidos (Ef 1.7);
(h) participantes da herança, redenção, e louvor de sua glória (Ef 1.14);
(i) participantes do Espírito Santo (Ef 1.13; Gl 3.14); 
(j) criados em Cristo Jesus para as boas obras (Ef 2.10).
(2) A predestinação, assim como a eleição, refere-se ao corpo coletivo de Cristo (i.e. a verdadeira igreja), e abrange indivíduos somente quanto inclusos neste corpo mediante a fé viva em Jesus Cristo (Ef 1.5,7,13; cf. At 2.38-41; 16.31)”.14
Ninguém, à luz da Bíblia, pode arrogar-se eleito, ou assim se considerar sem, antes, ter aceitado a Cristo como Salvador, livre e conscientemente. Deus não admitiria alguém fazer parte do Corpo de Cristo sem uma decisão pessoal. Diz a Bíblia: “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos” (Jo 8.31; grifo meu). O Mestre se referia aos judeus que criam nele. Para se tornarem discípulos de Jesus, isto é, salvos, teriam de “permanecer” na sua Palavra. Vê-se claramente que a salvação, que implica em eleição, não é um direito adquirido com o nascimento. É um “poder” outorgado (Jo 1.12), a quem aceita as condições exigidas na Palavra de Deus.
3.3. PRESCIÊNCIA E PREDESTINAÇÃO
Deus já sabe quem vai ser salvo e quem vai ser perdido. Mas Ele fez os homens à sua imagem e semelhança, o que inclui, certamente, a faculdade de fazer ou deixar de fazer, ou seja, o livre-arbítrio. Chafer (note-se que ele é um teólogo calvinista), afirma que 
Com relação à onisciência de Deus e as ações livres dos homens (ações contingentes, não ordenadas), vê-se que Deus os torna responsáveis pelos seus atos, e tais ações são pré-conhecidas por Ele. Se Deus for ignorante das ações futuras dos livres-agentes, não poderá haver um controle divino seguro do destino humano como garantido em cada pacto incondicional que Deus fez, e como garantido em cada profecia das Escrituras […] A presciência divina não compele; ela meramente sabe qual será a escolha humana15 (grifo meu). 
Com base nesse entendimento, poder-se-ia dizer que não é necessário Deus prever nada, pois todas as coisas acontecem diante dEle como num momento, num “eterno agora”. Diz ainda Strong que a “presciência não é em si mesmo causativa. Não dever ser confundida com a vontade pré-determinante de Deus. As ações livres não ocorrem porque são previstas, mas são previstas porque ocorrem”16 (grifo meu). Esta última citação nos dá uma idéia de como melhor podemos entender o conflito entre a presciência de Deus e a liberdade do homem em agir.
Strong afirma que 
O fato de que nada há na condição presente das coisas a partir das quais as ações futuras das criaturas livres necessariamente se seguem por lei natural, não impede Deus de prever tais ações porque seu conhecimento não é mediato, mas imediato. Ele não só conhece antecipadamente os motivos que ocasionarão os atos dos homens, mas diretamente conhece os próprios atos.17 
Num confronto entre as duas posições doutrinárias, a arminiana e a calvinista, ressalta-se o problema da eleição: 
Ela tem sido apresentada de maneira tão extremista que faz parecer que os eleitos serão inevitavelmente salvos, sem levar em conta sua resposta ao evangelho e seu estilo de vida. Por outro lado, os escolhidos para se perderem padecerão eternamente, não obstante qualquer empenho em aproximar-se de Deus mediante a fé em Cristo.18 
Em resposta à pergunta “O que é eleição?”, Thiessen diz que, no seu sentido redentivo, eleição é “o ato soberano de Deus, pela graça, através da qual Ele escolheu em Cristo Jesus, para salvação, todos aqueles que previu que o aceitariam”.19 Sobre presciência, acentua:
Devemos distinguir claramente entre a presciência de Deus e a sua predestinação. Não é certo dizer que Deus previu todas as coisas porque arbitrariamente decidiu fazer com que elas ocorressem. Deus, em sua presciência, vê os eventos futuros praticamente como vemos os passados […] Os que foram escolhidos são aqueles que estavam em Cristo, pela sua presciência, Deus já os viu ali quando fez a escolha […] Ele não determinou quem deveria achar-se ali, mas simplesmente os viu ali em Cristo ao elegê-los […] Em ponto algum a Bíblia ensina que alguns são predestinados à condenação. Isto seria desnecessário, desde que todos são pecadores e estão a caminho da condenação eterna (cf. Ef 2.1-3; 12).20
Diante da controvérsia, Myer Pearlman propõe um equilíbrio na análise do assunto. Ele afirma que: 
As respectivas posições fundamentais, tanto do calvinismo, como do arminianismo, são ensinadas nas escrituras. O calvinismo exalta a graça de Deus como a única fonte de salvação ¾ e assim faz a Bíblia; o arminianismo acentua a livre vontade e responsabilidade do homem ¾ e assim o faz a Bíblia. A solução prática consiste em evitar os extremos anti-bíblicos de um e de outro ponto de vista, e em evitar colocar uma idéia em aberto antagonismo com a outra […] dar ênfase demasiada à soberania da graça de Deus na salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que conduta e atitude nada têm a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outra parte, ênfase demasiada sobre a livre vontade e responsabilidade do homem, como reação ao calvinismo, pode trazer as pessoas sob o jugo do legalismo e despojá-las de toda a confiança de sua salvação.21
De fato, o crente fiel não cai da graça de Deus, como dizem os calvinistas, mas “se” perseverar em obediência e santidade (Hb 3.12-14;12.14); o homem é depravado, mas, se aceitar a Cristo, é nova criatura (2 Co 5.17). A “eleição incondicional” só pode ser uma interpretação equivocada, mesmo baseando-se em textos bíblico, pois Deus não faz acepção de pessoas. O problema é que os calvinistas não admitem o livre arbítrio. Mas, sem essa condição, o homem não poderia ser imagem e semelhança de Deus.
Quanto ao arminianos, seus pontos fundamentais são aceitáveis, mas não podem ser levados ao extremo. Não é somente pelo livre-arbítrio ou pela responsabilidade pessoal que alguém pode ser salvo. Entendemos que as duas interpretações podem servir de subsídio para a doutrina da salvação, mas sem as afirmações dogmáticas, levadas ao extremo. Na salvação, tem-se a mão de Deus, por intermédio de Cristo, vindo ao encontro do homem pecador, por seu amor e sua misericórdia. Quando o homem perdido reconhece seus pecados, e sua condição de miserável espiritual, e aceita a mão de Deus em seu favor, é salvo. No entanto, quando o perdido prefere rejeitar a mão de Deus, e opta pela mão do Diabo, está perdido, e assim ficará até à morte. 
Corroborando esse entendimento, vemos o que diz o Senhor, por meio do profeta Ezequiel: “Quando eu também disser ao ímpio: Certamente morrerás; se ele se converter do seu pecado e fizer juízo e justiça, restituindo esse ímpio o penhor, pagando o furtado, andando nos estatutos da vida e não praticando iniqüidade, certamente viverá, não morrerá. De todos os seus pecados com que pecou não se fará memória contra ele; juízo e justiça fez, certamente viverá” (Ez 33.14-16; grifos meus). Aí, nesse texto tão incisivo, vê-se que “o ímpio”, ou seja, o perdido, o depravado, o miserável pecador, quando ouve a advertência de Deus, por meio de sua Palavra, do evangelho de Cristo, na Nova Aliança, e se arrepende, (”e se converter”, passando a andar “nos estatutos da vida”, que é a Palavra de Deus), diz o Senhor: “Certamente viverá”, isto é, será salvo. Não se pode inferir do texto qualquer conotação de que esse “ímpio” seria um “eleito”, ou “predestinado”. É ímpio mesmo! Note-se também que não é Deus quem o converte, por sua “graça irresistível”, mas é ele próprio quem, advertido por Deus, deve “se converter do seu pecado”, e passar a andar “nos estatutos da vida”. Fazendo ele isso “certamente viverá”.
Segundo Horton se a graça de Deus é irresistível, como enfatizou Calvino, 
os incrédulos pereceriam, não por não quererem corresponder, mas por não poderem. A graça de Deus não seria eficaz para eles. Nesse caso, Deus pareceria mais um soberano caprichoso que brinca com seus súditos que um Deus de amor e graça. Sua promessa: “todo aquele que quer” seria uma brincadeira de inigualável crueldade, pois Ele é quem estaria brincando. Mas o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo não brinca conosco22 (grifos meus). 
“Entendemos que a interpretação arminiana é a mais consentânea com o caráter de Deus, que é ao mesmo tempo justo, soberano, bom, e que não faz acepção de pessoas”.23
É indiscutível, à luz da Bíblia, a soberania de Deus. Por outro lado, também é indiscutível à luz das Escrituras, que o homem recebeu de Deus o livre-arbítrio, para que seja responsabilizado por seus atos. Ao longo da História, observa-se que a maioria das pessoas não querem encurvar-se ante a soberania de Deus. Muitos vêem Deus como um ser distante, que criou todas as coisas, mas não se importa com suas criaturas. São os deístas. Outros, guiados pela cegueira espiritual, desacreditam na existência de Deus. São os ateístas. Por fim, há os que, em minoria, aceitam as verdades emanadas da Palavra de Deus, e não somente crêem nEle, como o adoram, e o servem “em espírito e em verdade” (Jo 4.24). São os teístas. A crença em Deus, pelos méritos de Jesus Cristo, é o único meio para que o ser humano chegue à eternidade, com a bênção da salvação. Os que o aceitam, são salvos. Os que o rejeitam, estão condenados (Jo 3.18,19). Deus não faz acepção de pessoas. Sua salvação é oferecida a todos (Jo 3.16), mas só é alcançada pelos que crêem em Jesus Cristo e o aceitam como salvador.
Notas
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática, p.153.
BANCROFT, E.H. Teologia Elementar, p. 82.
STRONG, Augustus H. Teologia Sistemática, p.525.
“Boneco articulado, de madeira, pano ou outro material, suspenso por fios fixados em uma trave e presos na cabeça, mãos, joelhos e pés, pelos quais o operador o movimenta; fantoche, marionete” (Dicionário Aurélio Séc. XXI).
Dicionário Aurélio Século XXI.
STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. p.1808.
Ibid. p.1809.
Ibid. p.1809 (com adaptações).
CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática, p.221.
STRONG, Augustus H. Teologia Sistemática, p.426.
Ibid, p. 424.
Guy P. DUFFIELD & Natanael M. Van Cleave, Fundamentos da teologia, p. 281.
Ibid. p.281.
Ibid. p. 282.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, p.271.
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática, p.366,367.
LIMA, Elinaldo Renovato de. Apostila sobre Doutrina de Deus.
https://www.facebook.com/abdias.barreto


"Quando DEUS trabalha O HOMEM muda!" 
Prof. Abdias Barreto. 
Contatos: (85).8857-5757. 
profabdias@gmail.com

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O B A D I A S. O PROFETA NUM MUNDO RACISTA,

OBADIAS, O PRINCÍPIO DA RETRIBUIÇÃO

O B A D I A S. O PROFETA NUM MUNDO RACISTA,
Dos livros do Velho Testamento, Obadias é o menor, contendo apenas 21 versículos. O nome do profeta significa "Servo de Javé". Fiel ao seu nome, Obadias cumpriu o seu papel pela maneira com que ele nos fez lembrar que haverá para toda a humanidade um juízo final.
Obadias vivia numa época caótica, após a destruição de tudo quanto representasse a verdadeira religião. O texto indica que ele testemunhou o saque total da cidade santa de Jerusalém em 587 a.C, por isso presume-se que tenha tomado parte no exílio na Babilônia, que durou 70 anos. É de se supor que Obadias tenha escrito o seu livro durante o exílio. Longe da pátria, ele se lembrava do horror da devastação praticada pelas hordas cruéis de Nabucodonosor. Na hora em que o invasor impiedoso esmagou a pequena nação de Judá, o povo vizinho de Edom veio colaborar com o inimigo. Além de burlar-se dos habitantes de Jerusalém, os edomitas ajudaram os babilônios a pilhar os bens dos infelizes judeus e, pior ainda, entregaram ao exército de Nabucodonosor os refugiados apavorados que buscaram asilo no território vizinho de Edom. Assim foi que ninguém escapou das garras do mais temível exército de então.
Refletindo sobre a enormidade do crime perpetrado por Edom, Obadias percebeu que tudo se explicava ao período patriarcal, no início da história da Bíblia. Começou com o nascimento dos filhos gêmeos de Isaque (Gn 25), Esaú e Jacó. Dos dois, nasceu primeiro Esaú, que perdeu a herança de primogenitura, vendendo-a a seu irmão Jacó pelo preço ínfimo de um prato de feijoada. A venda desprezível levou os dois rapazes a brigar constantemente, e quando Jacó conseguiu por do Io a bênção paternal do velho pai cego, Isaque, a ira de Esaú irrompeu, e Jacó fugiu de casa. Passaram-se os anos, mas Esaú nutria ainda sentimentos de ódio contra o seu irmão, cuja morte anelava. Uma breve reconciliação ocorreu (Gn 33), mas os dois irmãos fundaram duas nações destinadas a perpetuar a rixa. Os descendentes de Esaú se estabeleceram na região desértica perto do Mar Morto, com a cidade capital aninhada entre montes inóspitos, enquanto que os descendentes de Jacó ocuparam a boa terra a oeste do Jordão, tendo como capital a cidade de Jerusalém.
A Bíblia narra resumidamente a trágica história do ódio implacável entre as duas nações. Logo na entrada dos judeus em Canaã, Edom recusou-lhe passagem (Nm 20). O profeta Balaão vaticinou a subjugação de Edom por Israel, quando pregou a Balaque, rei de Moabe, vizinho de Edom. Duzentos anos mais tarde, o ódio mútuo continuava, e o rei Davi tentou pôr fim ao constante problema mandando massacrar todos os homens machos d6 Edom (1 Reis 11.15). Esta política selvagem de liquidação do inimigo tradicional não se cumpriu, e um sobrevivente edomita levou o restante do seu povo a renovar a guerra contra Judá (1 Reis 11.17). Num salmo de vingança, Davi se refere a Edom em termos de desprezo absoluto, quando diz: "Sobre Edom atirarei a minha sandália" (Sl 60.8).
Vê-se como as atitudes de intolerância racial não somente se perpetuam, mas ampliam o desentendimento mútuo para alcançar gerações futuras. Não é surpreendente que 400 anos depois de Davi o povo de Edom ainda se lembrasse do tratamento desumano recebido das mãos dele. Por isso, alegrou-se sobremaneira quando a Babilônia mandou o seu exército invencível contra o odiado país vizinho de Judá. A vingança, embora tendo demorado tantos séculos, era saboreada em Edom. E o mesmo espírito existia no tempo de Jesus. O rei Herodes, de descendência edomita, mostrou a insensibilidade dos seus antepassados quando condenou Jesus injustamente. O nosso Senhor, por seu lado, nem lhe proferiu uma palavra sequer (Lc 23.8, 9).
Oxalá que o nosso mundo moderno aprendesse a lição! As inimizades e preconceitos continuam entre os povos. Por tradição, mais do que por razão, uma nação odeia outra. Lembram-se guerras de agressão séculos depois. Os netos e bisnetos conservam as mesmas atitudes insensatas dos avós e bisavós. Um exemplo disto é a relação entre a França e a Alemanha, com três guerras em três gerações seguidas (1870, 1914 e 1939). Na época nuclear, o racismo contra qualquer país é uma insensatez cujo preço bem pode ser o suicídio de toda a raça humana.
A profecia de Obadias começou com a visão de uma futura guerra, à qual o Senhor chama todas as nações. O vidente inspirado previu o fim do mundo e a soberania gloriosa do Senhor. Como nação, Edom seria destruída. Deus desprezou a nação por causa do seu orgulho exagerado (v. 2). A cidade capital era situada "nas fendas das rochas", tão inacessível ao inimigo que os habitantes consideravam a defesa indefectível. Com a elevação vertiginosa da cidade, as luzes nas janelas das casas pareciam ser estrelas (v. 4). Ainda que o adversário humano não a alcançasse, o Senhor a derrubaria pelo seu poder irresistível (v. 4).
O profeta se serviu de analogias comuns para salientar a futura destruição total de Edom. O ladrão furta o que precisa, deixando muitas coisas de valor. Semelhantemente, os vinicultores mandam vindimar uvas, mas depois da colheita sempre sobram alguns cachos (v. 5). Não seria assim no julgamento de Edom. Não sobraria coisíssima alguma, mas tudo seria levado. Nesse dia fatídico, os seus aliados o abandonariam, negando tratados de paz (v. 7). Deus controla tudo, não somente as circunstâncias políticas e militares, mas até o pensamento dos habitantes de Edom. Os sábios se tornariam tolos, e os valentes amedrontados, antes do extermínio da raça (v. 10). Cumprir-se-ia ao pé-da-letra a maldição divina contra os que perseguem o seu povo eleito.
O Deus de Israel distingue os babilônios dos edomitas nisto, que Edom tinha herança comum com Israel em Abraão. Judá era irmão (v. 12). O mesmo sangue patriarcal irrigava as suas veias. Sendo irmão, não devia olhar com prazer a calamidade de Judá, nem se alegrar na ruína de Jerusalém, quanto menos roubar a vítima de guerra ou impedir a sua fuga! Vê-se a atualidade da Bíblia numa situação contemporânea. Os vietnamitas, fugindo do comunismo, pagaram onze onças de ouro, cada um, a outros vietnamitas como preço de "passagem" de três ou quatro dias a bordo de um navio sem comida, sem bebida, sem toilete Obadias fala hoje!
A pequena profecia terminou com a promessa da restauração e felicidade de Israel no fim dos tempos. Não é o homem que resolverá os seus problemas. Somente o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores é capaz de pôr em ordem este mundo com as suas tensões e hostilidades. Aguardamos o Dia do Senhor que "está prestes a vir sobre todas as nações". Jesus confirmou pessoalmente o grande acontecimento, falando aos discípulos pouco antes da sua crucificação:
"Quando vier o Filho do homem na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória, e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros." (MT 25.31, 32)

O monte Sião, devastado pelo rei da Babilônia, ajudado por Edom, seria restaurado (v. 17). Esta esperança da restauração final de Israel é proclamada no Novo Testamento, mais particularmente pelo apóstolo Paulo em Romanos 9 a 11. É claro que Paulo não aplica esta e outras profecias à Igreja, mas continua esperando a salvação final de Israel (Romanos 11.26). Antes do fim do drama humano, cumprir-se- á a promessa divina, e o Senhor há de reinar sobre este mundo onde ele foi crucificado. Se ele não fizer assim, haveria no universo de que ele é o SENHOR, um planeta onde o diabo seria rei.
Com a segunda vinda de Cristo, o mundo conhecerá, pela primeira vez, a plena realização da vontade de Deus em resposta à incansável prece do seu povo: "Que a tua vontade seja feita aqui na terra, como no céu!" O povo de Deus vive hoje nesta expectativa. Na antecipação segura que a fé em Jesus Cristo permite, repetimos o Pai Nosso até o fim, bradando triunfantemente "pois teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre, Amém'" Neste mesmo espírito de confiança absoluta no triunfo final da vontade de Deus na terra, Obadias escreveu esta última frase: "O reino será do Senhor." (v. 21)
No nosso mundo, com a capacidade de autodestruição multiplicada por vinte,
não há maior consolação para o crente em Cristo do que esta, a certeza inabalável
de que o nosso Deus reina soberanamente sobre todas as nações e todos os povos, e que, aconteça o que acontecer, Jesus Cristo, o Senhor, há de restaurar todas as coisas, para a glória do Pai.
Fonte: JUSTIÇA E ESPERANÇA PARA HOJE - Profetas Menores - Dionisio - Pape

"Quando DEUS Trabalha O HOMEM Muda!"

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A INSPIRAÇÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA



A INSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS.
Definição, características e relações
Desde há muito tempo, as Sagradas Escrituras tem sido alvo de milhares de questionamentos a cerca de sua inspiração, bem como de sua validade e autoridade. 
A grande pergunta que persiste ao longo dos séculos é: a bíblia é ou não é a Palavra de Deus? 
Neste estudo iremos aprender como se deu a inspiração bíblica, bem como sua definição, característica e relações, veremos também algumas teorias e correntes de pensamentos teológicos a cerca do assunto.


Etimologia e Conceito

Inspiração vem da palavra grega theópneystos, que significa soprado por Deus. 
Como conceito teológico, essa palavra diz respeito à intervenção divina no processo de transmissão escrita da vontade de Deus, conferindo aos textos sagrados o ar de sobrenaturalidade que lhes são peculiares.
É, portanto, o ato do Espírito Santo de usar o escritor sagrado, divinamente escolhido, para que este transcreva a mensagem do Senhor.
As características fundamentais da inspiração
Três características fundamentais são apresentadas como marca digital nos textos inspirados, são eles: a fonte divina, o ser humano como instrumento e a autoridade que repousa no texto original.
1 – Fonte divina
Deus é a fonte. A Bíblia tem como fonte Deus, é Ele que por intermédio dos patriarcas, profetas e discípulos, falou aos homens. Ele é a origem.
2 – O ser humano
Foi o canal de transmissão na qual Deus escolheu. Deus como ser supremo e ordeiro, respeitou o seu canal de transmissão, Ele não violentou a consciência do homem, mas considerou a experiência, sabedoria, vocabulário e estilo literário de cada escritor.
3 – A autoridade do texto
Se a fonte do texto é Deus, e se por intermédio dos escritores, homens inspirados pelo Espírito Santo, podemos concluir que o texto detém autoridade diante de questões doutrinárias e éticas, são aptas para conduzir o homem para um relacionamento digno com Deus.
O texto, portanto, detém a autoridade e não o escritor.
Inspiração e revelação
Inspiração e revelação são coisas distintas. 
Inspirar quer dizer o ato de Deus conduzir o escritor para que este registre de maneira inerrante as verdades de Deus. 
Revelar é o ato na qual Deus utiliza para se desvendar-se a Si mesmo diante dos homens através de sua Palavra escrita.
Inspiração e Iluminação
Inspiração e iluminação estão estritamente ligadas. Iluminação é a capacidade que Deus nos concede de entender e compreender Sua Palavra. Vale lembrar que este conceito está ligado a outras duas situações distintas dessa, veja uma delas: 
1 – Percepção profunda da religiosidade de sua época, iluminação essa que dava condições para compreenderem o que Deus desejava que fosse escrito.
Inspiração e o propósito da revelação
“... que todos os homens se salvem, e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (I Tm 2.4).
Teorias que tentam divergir da inspiração das Sagradas Escrituras
Teoria da Acomodação
Acomodar o texto sagrado aos acontecimentos do dia a dia. 
Teoria da Contradição
Essa teoria diz que a Bíblia não é inspirada, pois há nela afirmativas que se contradizem. Todavia, vemos que estes supostos erros são, em sua grande maioria, erros de interpretação.
Teoria da Ignorância
A Bíblia, em nenhum momento esconde a condição cultural e intelectual dos escritores sagrados.
Segundo os proponentes dessa teoria, a inspiração e a inerrância são um paradoxo.
Pois, se os escritores sagrados são, em sua maioria, iletrados, seria impossível redigirem textos isentos de erros.
Teoria do Conflito
Afirmam que, de um lado temos o Senhor Jesus, conhecedor profundo dos mistérios de Deus e magistralmente além do Seu tempo, e, do outro, os apóstolos e discípulos, mergulhados na ignorância e tendentes as errôneas tradições dos judeus. 
Concluem, então que, os autores da Bíblia, à exceção de Jesus, não poderiam redigir textos isentos de erros, uma vez que eles estavam propensos aos mesmos.
Inspiração: particularidades e provas
Sabemos que os manuscritos que temos hoje são cópias de cópias, haja vista que os originais se perderam durante os séculos. Todavia os escribas – indivíduos que copiavam o texto dos originais – exerceram de forma séria e ortodoxa a execução das cópias.
Inspiração dos autógrafos e cópias
A descoberta dos manuscritos do mar morto é, indubitavelmente, uma prova cabal a cerca da confiabilidade das cópias das Sagradas Escrituras. 
Em 1947, nas montanhas de Qumran, nas proximidades de Jericó, foram encontrados vários manuscritos que confirmam que as cópias atuais são de procedência confiável.
Para se ter uma noção, dos vários manuscritos encontrados ali, o livro de Isaías – encontrado por inteiro – é igual ao que temos hoje, contendo apenas 17 letras diferentes da nossa Bíblia atual. Sendo que essas 17 letras não influem no texto de um modo geral.
Fidelidade do conteúdo 
Os copistas desenvolveram técnicas a fim de prezarem cada vez mais pela fidelidade do conteúdo dos originais. Contavam as palavras copiadas, as letras, objetivando a integridade das cópias. Entretanto, surgiram ao longo desses processos erros não intencionais.
Os erros de transcrição
Apesar do cuidado dos copistas, no decorrer do tempo foram surgindo erros nas copas.
São erros pontuais e não intencionais. Estes não prejudicam de modo grave o texto Sagrado. São eles resultados dos longos períodos de transcrição que tinham que fazer.
Exemplo: I Reis 4.26 e II Crônicas 9.25. Qual o verdadeiro 4 mil ou 40 mil?
O erro era proveniente de três motivos: primeiro, ilegibilidade de alguns textos devido ao tempo, palavras ortograficamente mal escritas ou distração dos copistas.
Mediante isso, podemos perguntar: as cópias também são inspiradas? A resposta é clara e objetiva. Não! A inspiração sobrenatural do Espírito Santo de Deus operou-se apenas nos originais. Ou seja, somente nos autógrafos que a inerrância é plena. As cópias dependem de sua fidelidade aos originais. Se a cópia for fiel ao texto original, então temos o que chamamos de inspiração reflexiva, ou seja, inspiração que é refletida pela fidelidade ao texto original – que é o inspirado autêntico. 
A Bíblia e o testemunho de Si mesma 
São chamadas de evidências internas, pois são evidências que estão dentro da Bíblia.
II Tm 3.16; II Pe 1.21.
Provas da inspiração Bíblica
As declarações que a própria Palavra faz de Si mesma é, inquestionavelmente, coesa.
Ambos os testamentos reivindicam a autoridade máxima. “Assim diz o Senhor”; “e disse Deus”; “os mandamentos de Deus”; “nas palavras que o Espírito ensina”.
As afirmações feitas por Jesus constituem-se também uma forte prova da inspiração e autoridade da Bíblia. Portanto, acreditar em Jesus e questionar a Bíblia é ilógico e inadmissível. Mateus 5.17 e 18.
A profecia Bíblica é, nos dias atuais, a maior arma dos defensores da Palavra de Deus. Pois esta se constitui uma grande base, haja vista a exatidão do cumprimento e a capacidade de prever o futuro. Concluímos então que devemos estudar a fundo as profecias.
Existem também as evidências externas, que são aquelas que buscam comprovar a autoridade bíblica nos meios mais diversos, como por exemplo, a arqueologia. Vários achados arqueológicos estão comprovando as Sagradas Escrituras
A História da Igreja também comprova a inspiração bíblica. Teólogos e filósofos do século I d.C. confiaram na inspiração da Palavra.
Inspiração do Antigo Testamento
Os profetas eram muitíssimos respeitados, como foram eles, em sua maioria que escreveram o Antigo Testamento, compreende-se que escreviam sob autoridade e inspiração do Espírito Santo. Essa é única explicação para os milagres que eles operavam por intermédio de Deus. Os ministérios desses profetas idôneos estavam e estão acima de qualquer dúvida.
Os profetas e a rede seqüencial redativa
Esses profetas escreviam como que fazendo parte de uma espécie de rede seqüencial redativa, ou seja, cada um deles dava continuidade à redação feita pelo seu antecessor imediato.
A inspiração do Novo Testamento
Acredita-se que a inspiração do Novo Testamento, esteja profundamente ligada a poderosa transformação no dia de Pentecostes. Pois, sob a graça do Espírito Santo, os autores escreveram aquilo que Deus gostaria que eles escrevessem.
A igreja e as evidências da inspiração do Novo Testamento
As comunidades cristãs primitivas encaravam os textos do Novo Testamento como sendo de plena inspiração e autoridade.
Os pais apostólicos e as evidências da inspiração do Novo Testamento
A maneira como os pais apostólicos encaravam e tratavam o texto também comprava a inspiração bíblica. E com o elo ininterrupto entre os apóstolos do Novo Testamento e outras gerações, tem-se uma grande base para essa aceitação.
Inspiração bíblica e as diversas teorias
Existem três grandes movimentos teológicos que versam sobre vários assuntos. São eles: o ortodoxo, o modernista ou liberal e o neo-ortodoxo.
O movimento ortodoxo
Teve início nos primórdios da igreja, surgiu para combater a oposição imposta pela religião judaica e os diversos movimentos heréticos.
Esse movimento defende que a Bíblia é a Palavra de Deus e plenamente inspirada. Sendo ela a fonte primordial para nossas vidas. Acreditam eles que a Bíblia é verdadeira e fiel a tudo quanto diz.
Período patrístico: quando a filosofia na Idade Média era desempenhada por padres que buscavam na filosofia meios de salvar almas pelo apelo da razão.
Período escolástico: Após a influência dos bárbaros na cultura do império Romano, Carlos Magno resolveu, em parceria com a Igreja Católica, contratar padres para lecionar matérias para resgatar a cultura novamente.
O movimento liberal ou modernista
Surgiu no século XVIII, mas ganhou força no século XIX. Com pressupostos anseios de modernizar algumas doutrinas obsoletas do movimento ortodoxo, o liberalismo teológico concretizou-se como uma grande praga. Alegando que a Bíblia não é plenamente inspirada, e que também não é a Palavra de Deus, mas há contem. Acreditavam que a Bíblia tinha muita influência dos mitos e lendas judaicas. Segundo esse movimento, a Bíblia só não contém erro nos assuntos ligados a salvação, entretanto, em outras partes “secundárias” elas contem erros.
O movimento neo-ortodoxo
O movimento neo-ortodoxo surgiu no século XX para rebater os erros do liberalismo, resgatar e impor mais severamente as doutrinas ortodoxas. São proponentes dessa corrente teológica Karl Barth, Rudolf Bultmann e etc..
Acreditam que a Bíblia é inspirada a partir do momento que o homem busca se aproximar de Deus.
Demitizante: teoria desenvolvida pelo teólogo existencialista Rudolf Bultmann, que diz que a Bíblia por conter muitas influências de mitos e lendas, devia ser demitizada, ou seja, deveria ser despojada desses equívocos para ser inspirada.
Encontro pessoal: teoria desenvolvida por Karl Barth, dizia que a Bíblia é a Palavra de Deus à medida que o leitor tenha um reencontro com o Sagrado, que está registrado na Bíblia.
* Existencialismo: doutrina que dá ênfase na existência do homem e não em sua essência. Prioriza os viver aqui e desfrutar bem, do que com questões metafísicas, ou seja, transcendentes, como por exemplo, a alma.
Falsas teorias a cerca da inspiração bíblica
Existem várias teorias que tentam explicar como se deu a inspiração das Sagradas Letras, vejamos algumas:
Teoria da inspiração natural
Ensina que a Bíblia foi escrita por homens dotados de gênio e força intelectuais especiais como Sócrates, Camões, Rui Barbosa. Esta teoria nega o sobrenatural de Deus.
Teoria da inspiração comum
Ensina que a inspiração é a mesma de hoje, que nos vem quando oramos, ensinamos e pregamos. 
Essa teoria peca no sentido de equiparar a inspiração normal a inspiração bíblica. Pois, a inspiração que o Espírito nos concede hoje é dada conforme a medida de busca de cada crente, ao posso que a inspiração bíblica não admite essa inspiração gradual. A da Bíblia era temporária.
Teoria da inspiração parcial
Ensina que algumas partes da Bíblia são inspiradas outras não. 
Teoria do ditado verbal
Ensina que a inspiração é somente quanto às palavras, ou seja, o escritor não tinha espaço para seu estilo. Essa teoria encara a inspiração como sendo um ato mecanizado, pois esta teoria faz com que os escritores fossem verdadeiras máquinas que escreveram sem qualquer noção.
Teoria da inspiração das idéias
Diz que Deus inspirou as idéias, mas não as palavras. Ora, o que é palavra senão a expressão do pensamento?! Ninguém pode separar idéia de pensamento. Estão intrinsecamente ligadas.
A teoria da inspiração plenária 
Essa teoria baseia-se em dois fundamentos: a verbalidade e a totalidade.
Verbalidade no sentido de que é por pensamento e palavra. 
Totalidade no sentido de que é em sua plenitude, de Gênesis a Apocalipse, em todas as páginas e em todos os assuntos. Encaramos essa teoria como a verdadeira. 
Acreditamos que em todos os assuntos, sejam eles históricos, científicos, geográficos e etc. a Bíblia é a palavra certa e verdadeira.
Nessa teoria entendemos que a consciência de cada escritor foi preservada, bem como seus conhecimentos e estilo. 
Essa teoria deixa clara que após a finalização do último livro da Bíblia, encerrou-se a inspiração sobrenatural, ou seja, nenhum escritor tornou-se super santo, compreende-se que após a inspiração sobrenatural eles voltaram a ser como eram antes, sujeito aos erros como todos os homens. Já mencionamos que a infalibilidade não se encontrava nos escritores, mas sim no texto.

Livro Introdução Bíblica - IBAD.


"Quando DEUS trabalha O HOMEM muda!" 
Prof. Abdias Barreto. 
Contatos: (85).8857-5757. 
profabdias@gmail.com
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