Relogio Com Comentario

VERSÍCULO DO DIA

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A EPÍSTOLA A FILEMON

COMENTÁRIO E INTRODUÇÃO A EPÍSTOLA A FILEMON
QUESTÕES INTRODUTÓRIAS
1 – A carta a Filemom é a menor e última (a carta aos Romanos é a mais longa e primeira) na série das 13 epístolas de Paulo existentes no NT. Filemom é um cidadão abastado de Colos-sos (é o que se pode deduzir das listas de saudações, quase idênticas de Fm 23s e Cl 4.7-14, e particularmente do v. 9). Veio a crer em Jesus por intermédio do apóstolo (v. 19)
. O relacionamento entre Paulo e Filemom é cordial, de confiança e parceria. Paulo o chama de irmão, amado, colaborador e companheiro (Fm 1.17).
2 – Onésimo é um escravo que fugiu de seu proprietário e que encontrou junto de Paulo não apenas refúgio, mas a nova vida em Jesus (v. 10). É em favor desse escravo, que agora passou a ser um “irmão amado” (v. 16), que o
apóstolo se empenha junto a Filemom, para que este não o castigue, mas o receba com a mesma cordialidade com que receberia ao próprio Paulo (v. 17).
3 – Na verdade a carta é dirigida, em tom muito pessoal, a um indivíduo, e apesar disso não se trata de mera missiva particular. Paulo menciona Timóteo como colaborador (v. 1) e cita entre os destinatários, além de Filemom, também Áfia, Arquipo e a igreja na casa do pro-prietário do escravo. Também a saudação no final aponta para além de um escrito puramente pessoal, assemelhando-se nisso às cartas pastorais. Após a saudação (v. 1-3) Paulo (como ge-ralmente em suas cartas) transita para as ações de graças e a intercessão, nas quais já indica o conteúdo da carta (v. 8-20). O bloco principal é estruturado em 4 partes: recordação de uma boa ação de Filemom (v. 7s); apresentação da condição mudada de Onésimo (v. 10-12); re-trospecto e nova interpretação do acontecido (v. 13-16); pedido a Filemom, para que torne a praticar uma boa ação (v. 17-20). A carta encerra com uma perspectiva confiante para o futuro (v. 21s), bem como com os votos de saudação e bênção (v. 23-25).
4 – Embora a autoria paulina da carta não sofresse contestação nem na primeira igreja nem na atualidade (com exceção de F. C. Baur, que considerava ser a carta a Filemom um posicionamento em forma de romance acerca da questão escravista do período pós-apostólico), ela foi alvo de pouquíssima atenção, levando a poucas conseqüências práticas visíveis (cf. Apêndice 1: Sobre a questão do escravismo).
Paulo está na prisão (v. 1,9,13,23), provavelmente em Roma. No entanto não se descarta uma breve detenção em Éfeso, onde o escravo fugitivo poderia tê-lo alcançado mais facilmente. Já na época da segunda carta aos Coríntios (2Co 11.23) Paulo informa a respeito de diversos períodos de prisão, lembrando que teve de suportar coisas graves em Éfeso (1Co 15.32). Se a carta for de um período de prisão em Éfeso, pode-se presumir como data da redação o ano 53. Contudo, se foi escrita durante a primeira detenção em Roma, devem ter passado mais 5 ou 6 anos (cf. 2Tm 4.17: boca do leão, e 1Co 15.32: lutou com animais ferozes; aliás, cf. as considerações sobre as diversas detenções: 2Tm 4.16s).
COMENTÁRIO
O PROÊMIO DA CARTA – FM 1-7
1 – Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, ao amado Filemom, também nosso colaborador,
2 – e à irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que está em tua casa,
3 – graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
4 – Dou graças ao meu Deus, lembrando-me, sempre, de ti nas minhas orações,
5 – estando ciente do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus e todos os santos,
6 – para que a comunhão da tua fé se torne eficiente no pleno conhecimento de todo bem que há em nós, para com Cristo.
7 – Pois, irmão, tive grande alegria e conforto no teu amor, porquanto o coração dos santos tem sido reanimado por teu intermédio.
1. Remetente – Fm 1a
1 Paulo é prisioneiro em dois sentidos: Jesus, o Senhor, o confiscou para si, e por causa do Senhor ele foi difamado e aprisionado pelos inimigos do evangelho. Por cinco vezes ele menciona nesta carta sua atual condição de preso. Deixa fora o costumeiro título de apóstolo, porque não deseja salientar de antemão sua autoridade especial. Também apresenta Timóteo, que está com ele, singelamente como irmão. No entanto Paulo não continua escrevendo usando o “nós”, mas a partir do v. 4 passa para o “eu”, citando várias vezes na carta apenas expressamente seu próprio nome.
2. Destinatário – Fm 1b-2
Apesar disso não é sem sentido que Timóteo seja citado como co-remetente, porque dessa maneira Paulo assinala que não age em particular – sua carta originou-se tendo testemunhas (da boca de duas ou três testemunhas) – e ele tampouco se dirige exclusivamente a um único indivíduo, mas a Filemom, o amado, e nosso colaborador. O amor do Senhor Jesus os une, capacitando-os para cooperarem na obra do evangelho. Ambos os termos salientam a afeição recíproca. Áfia, a irmã, é
esposa de Filemom, como se pode depreender da proximidade direta dos dois nomes. Interessante é que seja mencionada como “irmã”, ou seja, que se enfatize sua participação na igreja. A negociação acerca do escravo fugitivo não é questão exclusivamente de homens nem apenas do casal, porque na casa deles reúne-se a congregação, de forma que para todos em sua igreja caseira – e além dela – é relevante o que os dois decidirão a respeito do escravo.
2 Arquipo, nosso companheiro de lutas, é citado em Cl 4.17, o que corrobora a suposição de que Filemom vive em Colossos. Contudo, nem a exortação em Cl para que cumpra sua incumbência de serviço, nem a circunstância de ser agora citado expressamente por nome ao lado de Filemom e Áfia e caracterizado como companheiro de lutas, significa necessariamente que deva ser considerado também o dirigente da igreja. Talvez Filemom, Epafras e Arquipo fossem, juntos ou alternadamente (de acordo com Cl 4.12 Epafras não esteve em Colossos na época da redação da carta), servidores que dirigiam a igreja.
E a igreja em tua casa. Agora torna-se bem explícito que por um lado a carta é dirigida a Filemom, mas que por outro seu conteúdo diz respeito à igreja toda. Filemom há de considerar a carta no coração, falar com a esposa sobre ela, apresentá-la a um amigo e colaborador chegado e, finalmente, lê-la perante a igreja toda, na qual talvez estejam presentes outros escravos.
3. Voto de bênção – Fm 3
Todos eles, senhores e servos, vivem da graça de Deus, e o poder da paz divina pode mantê-los unidos no amor recíproco. Quando lerem a carta e quando o conflito de idéias causar inquietação neles, então a paz de Deus os preservará e possibilitará o verdadeiro bem-estar para todos.
4. Ação de graças e intercessão – Fm 4-7
4 Nos salmos agradeço a meu Deus é expressão de confiança. Como Jesus, Paulo cresceu na escola de oração dos salmos. Nas cartas da antigüidade era comum prometer um ao outro: penso em você. Paulo pensa em seus colaboradores, agradecendo e orando por eles, e com a mesma naturalidade conta com o fato de que as igrejas também orem por ele.
5 A fé no Senhor Jesus é fundamento para o amor, porque crer nele significa crer no amor dele, propiciado aos seres humanos através de sua morte na cruz em favor deles.
Paulo ouviu acerca do amor de Filemom, ou seja, não o encontrou pessoalmente por certo tempo, talvez nem mesmo o tenha visto desde sua conversão a Jesus. Na época da carta aos Colossenses é certeza que Paulo ainda não havia estado pessoalmente em Colossos.
Porém os colaboradores o informaram de como Filemom cresceu na fé no Senhor Jesus e no amor a todos os santos. Os corações dos santos receberam refrigério (v. 7) através de seus atos de amor, e justamente agora ele terá oportunidade de comprovar mais uma vez seu amor em uma questão que pessoalmente não deve ter sido muito fácil para ele.
6 Paulo acrescenta à sua gratidão a prece a Deus, para que a participação de Filemom na fé se torne eficaz. A fé em Jesus os torna parceiros, quando essa fé volta sempre a ser eficaz e atuante no amor.
No conhecimento de todo o bem que está em nós, em direção de Cristo. No começo não está a ação, mas o reconhecimento da vontade de Deus. Essa vontade é o bem. Deus quer o melhor de nós; Uma vez que começou o bem em nós, ele também o conduzirá à perfeição. Nos episódios do cotidiano a fé reconhece o bem (v. 14!) que precisa ser feito agora, e o coração preparado no amor não se fecha, mas se abre para o irmão com ação e verdade. Todo o bem que está em nós: trata-se das obras que Deus preparou para nós e para as quais ele nos preparou, a fim de que as reconheçamos e realizemos no momento certo, não para alcançar nossa redenção, mas em direção de Cristo, i. é, para ele e para a honra dele. Isso confere às obras uma nova origem e outro alvo.
7 Na koinonia (participação e comunhão) da fé um pode tornar-se para o outro alegria e consolo, quando a comunhão não se esgota apenas em palavras e sentimentos, mas conduz ao verdadeiro apoio e à ação de amor. Filemom com freqüência praticou esses atos de amor aos santos, reconfortando-os assim em conjunto com o apóstolo. O afeto do amor é capaz de proporcionar tamanha confirmação e fortalecimento que ele acalma o espírito humano, libertando-o do esforço da inútil autojustificação. Ativando-se o amor, os co-rações são aquietados em relação às suas obras mortas. É algo maravilhoso que uma pessoa consiga consolar e revitalizar o coração da outra. O
coração é capaz de fortes sentimentos de misericórdia e consolação, quando se torna aberto e sensível através do amor. Todo o ser humano, em corpo e alma, foi colocado em movimento. Também Paulo está comovido nesse instante. Isso se evidencia porque coloca a palavra irmão bem no final, destacando-a assim enfaticamente.
O apóstolo tinha necessidade de alegria e consolo. Ao se lembrar com gratidão do amor de Filemom ele obtém paz e refrigério. Tal é o significado que irmãos na fé podem ter um para o outro por amor de Jesus. Já nas controvérsias e aflições da igreja em Corinto, Paulo experimentara o que significava ter irmãos que supriam o afeto que faltava aos coríntios, e que mediaram amorosamente o conflito, concretizando a reconciliação: “trouxeram refrigério ao meu espírito e ao vosso”
Por isso Paulo pede agora: assim como reanimaste meu coração, irmão, assim reanima-o outra vez, irmão. O bloco principal da carta está emoldurado no começo e no final pelo anseio do coração por refrigério e pelo apelo muito pessoal de amigo para amigo. Trata-se, porém, do benefício em favor de um terceiro! O bem que é feito a essa terceira pessoa é que reanimará ao apóstolo.
O TEXTO DA CARTA: INTERCESSÃO POR ONÉSIMO – FM 8-22
1. Pedir em lugar de ordenar: por causa do amor – Fm 8s
8 – Pois bem, ainda que eu sinta plena liberdade em Cristo para te orde-nar o que convém,
9 – prefiro, todavia, solicitar em nome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, agora, até prisioneiro de Cristo Jesus.
8 Com por isso começa a real preocupação da carta, que foi preparada nas primeiras sentenças. E apesar disso o apóstolo adia mais duas vezes seu pedido! Antes de expressar a solicitação ele diz que na realidade teria o direito de dar a Filemom uma instrução apostólica compromissiva. Contudo não deseja apelar para seu direito e sua posição, esperando tacitamente que Filemom tampouco o fará quando estiver em jogo o escravo, cujo nome o apóstolo pronunciará somente no final do v. 10. E novamente – no final da seção principal – Paulo levantará a questão do direito, rejeitando-a quase em tom de brincadeira: Filemom tem direito sobre o escravo Onésimo, mas Paulo possui direito idêntico diante de Filemom. Contudo não deseja fazer uso desse direito, preferindo transformar outra vez as exigências de direito em desejo do amor.
Por isso, embora eu tenha em Cristo plena ousadia (parresia): ousadia é a abertura e amplitude do coração que vem da liberdade e sempre está ligada à alegria. Por isso também é possível traduzir: alegria, confiança, desinibição, franqueza. Paulo apresenta-se com ousadia perante Deus e os seres humanos. Essa confiança destemida do amor é conseqüência do Espírito, é ousadia no Senhor e por meio dele. Quem tem coração fechado está deprimido e tem um medo angustiante que é o oposto da parresia, da desinibição destemida que vem do amor.
9 Paulo é livre, seja para ordenar, seja para pedir. Como apóstolo, possui a autoridade de dar instruções compromissivas, para que Filemom faça o que deve acontecer, literalmente: o que convém, a saber como um dono de casa crente deve se portar frente a um escravo fugitivo. Mas não faz uso de sua liberdade para impor seu direito de apóstolo, mas apresenta-se como irmão que pede, posicionando-se abaixo daquele que pode atender ou negar seu pedido: peço-te. Ele pede por causa do amor, não um amor que os dois homens sentem um pelo outro, mas o amor de Deus, que lhes foi presenteado em Jesus e do qual ambos vivem. Paulo não escreve: peço-te por causa do teu amor, porque dessa maneira ele somente exerceria uma pressão sobre o destinatário da carta, e é justamente isso que ele deseja evitar! Sim, ele apresenta a si mesmo em sua humildade e fraqueza como um homem prisioneiro e idoso. Naquele tempo Paulo deveria estar em uma idade entre 50 e 60 anos. Ele pede por causa do grande amor de Deus, para que o amor preceda o direito, porque tanto os dois parceiros da carta como também o escravo vivem do mesmo amor.
2. Exposição da mudança de situação – Fm 10-12
10 – Sim, solicito-te em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas.
11 – Ele, antes, te foi inútil; atualmente, porém, é útil, a ti e a mim.
12 – Eu to envio de volta em pessoa, quero dizer, o meu próprio coração.
Paulo não intercede em favor de si mesmo ou para obter vantagens, mas em favor de outra pessoa que está desprotegida e indefesa. Tampouco pede que o obtenha para si, porém em favor dele, i. é, intervém em prol de Onésimo (v. 12,17).
Escravos fugidos podiam abrigar-se em locais sagrados, onde estavam em segurança diante dos perseguidores. No entanto, ignoramos como esse escravo encontrou Paulo e foi capaz de visitá-lo na cadeia. Por intermédio do apóstolo ele se converteu a Jesus, sendo gerado e renascido para uma nova vida por meio do evangelho. Talvez, quando ainda não se rendera a Jesus, o escravo esperasse uma libertação que era menor que a libertação disponível a partir do evangelho. Talvez, por ter ouvido sobre a conversão de seu patrão, tenha exigido a liberdade e, não a obtendo, tenha saído de casa, à semelhança do filho mais jovem na parábola. Retornando, ele realmente se tornava filho: “Eu o envio de volta para ti, ou seja meu coração.”
Assim como no final das frases introdutórias Paulo coloca com especial afeto a palavra “irmão”, assim ele agora menciona o nome do escravo bem no final de seu pedido. Porventura o próprio Filemom também não encontrara a Jesus por meio de Paulo, sendo, portanto, um filho da fé e por isso irmão, exatamente como Onésimo? Porventura Paulo não comunicara aos dois homens a nova vida em Jesus, tornando-os por isso irmãos um do outro? Será que Filemom deveria agir como o irmão mais velho na parábola, olhando com desdém o irmão menor e rejeitando-o?
Paulo tem a capacidade de deixar subjacentes tais perguntas, e não obstante elas podem ser depreendidas das entrelinhas. Basta ler e comparar atentamente os v. 7,16,20 com o v. 10.
11 “Escravo inútil” era um modo de falar muito disseminado, que espelha como a relação senhor-escravo teve efeitos negativos no âmbito social. Como o escravo era explorado, ele próprio tentava, sempre que conseguisse, explorar também o senhor, esquivando-se o mais possível do trabalho. A nova vida, no entanto, se mostra no fato de que o “escravo inútil” se transforma em ser humano útil no meio da realidade antiga. Contudo a nova utilidade transforma as condições antigas de dentro para fora, por meio de uma nova atitude diante do trabalho e da vida em si. Os servos outrora inúteis não apenas se transformam em “servos comuns”, que realizam o que se espera deles, mas eles fazem mais do que sua obrigação! Desse tipo é, pois, a utilidade de Onésimo. Ele se transformou de “inútil” não apenas em servo útil, mas tornou-se mais que útil, da mesma maneira como Filemom também fará mais do que é necessário ou exigido: em amor, receberá o escravo como irmão, concedendo-lhe a liberdade, ao passo que este permanecerá livre e espontaneamente ao lado do patrão ou de Paulo, tentando servir-lhes como pessoa livre. Desde já sua utilidade, que transcende a medida comum, pode ser notada no fato de que se tornou precioso e útil para Paulo e Filemom. A utilidade do amor e da verdadeira adoração a Deus constitui o ganho trazido pela autêntica humanidade, para si e para o outro. Essa utilidade, contudo, está sempre exposta a mal-entendidos e ao abuso, a ponto de ser substituída e distorcida para a exploração e o aproveitamento, da maneira como se aproveitam animais e utensílios domésticos.
12 O direito exige que um escravo fugitivo seja enviado de volta. Paulo cumpre a lei. Enviar de volta o escravo é uma atitude legalmente demandada tanto nos termos da lei romana como da judaica. Simultaneamente, porém, ele combina o direito: envio-o de volta para ti com o amor que supera a lei: ou seja, o meu próprio coração. Aqui o amor se reveste de sua mais terna linguagem: peço-te em favor de meu filho, envio-te de volta meu coração. Sente-se pulsar o coração de um homem que foi liberto para o amor e interesse afetuosos. Por amor, o homem frágil e idoso na cadeia se empenha em prol de um escravo fugitivo, une-se a ele e ao futuro dele.
Lutero sentiu e expressou claramente o motivo determinante dessa cordialidade, ao escrever: “Somos todos os Onésimos dele, se crermos nisso.” Assim como Jesus se empenha junto de Deus em nosso favor, e até mesmo nos substitui (“a ele, ou seja, meu próprio coração”), assim Paulo intervém junto de Filemom em favor de Onésimo. Trata-se do amor vicário do Senhor Jesus, que atinge a concretização prática no coração de um ser humano.
3. Retrospecto e nova interpretação do ocorrido – Fm 13-16
13 – Eu queria conservá-lo comigo mesmo para, em teu lugar, me servir nas algemas que carrego por causa do evangelho;
14 – nada, porém, quis fazer sem o teu consentimento, para que a tua bondade não venha a ser como que por obrigação, mas de livre vontade.
15 – Pois acredito que ele veio a ser afastado de ti temporariamente, a fim de que o recebas para sempre,
16 – não como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão ca-ríssimo, especialmente de mim e, com maior razão, de ti, quer na carne, quer no Senhor.
13 O qual eu queria conservar comigo: na frase, o “eu” é fortemente enfatizado. Paulo tinha o desejo e a firme intenção de conservar junto de si o irmão ao qual passou a amar e que se tornou útil. Contudo, depois resolveu desistir da idéia. Não pretendia impor seus desejos nem insistir em seu direito (e que Filemom faça como ele!), embora como apóstolo poderia ter conseguido assim um auxiliar que lhe aliviaria um pouco a vida.
Vicariamente por ti: envio-te Onésimo como meu substituto (v. 12: meu coração), embora tivesse o direito de conservá-lo comigo como teu representante (v. 13). Sim, as circunstâncias depõem nitidamente em favor do apóstolo, porque se encontra acorrentado por causa do evangelho, sendo por isso especialmente carente: se fizer jus a isso, é agora que deveria ter a seu lado um diácono para fortalecê-lo.
14 Mas não desejo fazer nada sem teu consentimento. Paulo, portanto, conta com a concordância de Filemom, mas novamente sem dizê-lo expressamente. Não busca em primeira instância o consentimento dele, no qual confia plenamente (v. 21), mas sua decisão espontânea: “Não que eu busque o donativo, mas busco o fruto que gera um superávit em vossa conta”. O bem (v. 6,14) que beneficiará tanto Onésimo como Paulo terá um efeito libertador e gerará um superávit na conta de Filemom somente quando acontecer por decisão espontânea, porque somente então a decisão realmente terá sido tomada por amor. A lei pode obrigar a uma ação e castigar a desobediência. O amor não se deixa forçar, mas tampouco se trata de apenas esperar passivamente por ele como por um sentimento, que pode ou não ocorrer. O amor provoca a iniciativa do ser humano como um todo, resolução espontânea de coração aberto.
15 Porque talvez ele tenha estado separado (de ti) por breve tempo para que o recebas novamente para sempre. Mais uma vez Paulo dá ao todo uma guinada surpreendente. Audaciosa e, não obstante, cuidadosamente (“talvez!”) ele pergunta, se por trás da fuga do escravo não poderia ser notada outra realidade. Para que se possa obter uma resposta a isso, há necessidade de uma visão diferente da fuga, porque somente a visão diferente poderá conduzir a uma avaliação e decisão diferentes.
Paulo em absoluto fala de “fuga”, embora legalmente e no aspecto exterior sem dúvida tenha se tratado de fuga. As palavras usadas para descrever um acontecimento não são indiferentes. O apóstolo designa a fuga ativa como um evento passivo que acometeu a ambos: fostes separados um do outro.
A forma passiva indica – novamente sem que isso se expresse com palavras – um lado divino em todo o acontecido. E não se trata de uma suposição incerta. Porque igualmente é indubitável que para esse escravo a fuga tenha se tornado causa de sua redenção eterna e ao mesmo tempo para Paulo um presente cheio de consolo e utilidade. Porventura Filemom agora deveria permanecer sendo o único em desvantagem? Não, ele perdeu o escravo por breve tempo, a fim de que ele o recuperasse para sempre como um irmão presenteado com nova vida. Filemom ganhou mais do que havia perdido. O escravo não é simplesmente devolvido (como uma mercadoria furtada), o prejuízo não é apenas reparado (v. 18), porém Filemom obtém mais que meramente um escravo, a saber um ser humano pleno e um irmão amado: leva vantagem para o mundo presente e para o futuro.
16 Não mais como escravo, mas como alguém que é muito mais que um escravo, que é um irmão amado, particularmente para mim, porém ainda mais para ti, tanto na carne como no Senhor.
Somente agora chegamos ao âmago da carta. Pode ser que por enquanto as circunstâncias externas tenham permanecido as mesmas. Do ponto de vista do direito, um escravo capturado é enviado de volta ao proprietário com a sugestão de tolerância e com o pedido por tratamento transigente. Visto, porém, pela perspectiva do amor, acontece aqui o milagre da verdadeira humanização, que interliga de maneira nova todos os envolvidos, levando muito além das exigências legais. Onésimo, antes inútil, não retorna agora simplesmente como obediente escravo bom e trabalhador, mas como alguém que é mais que escravo, a saber, é presenteado a Filemom como irmão amado. O presente do amor supera toda exigência da lei, porque vem da liberdade, conduz à liberdade e mantém na liberdade.
Também os estóicos defendiam a igualdade de todos os seres humanos, mas ela estava alicerçada sobre o fato de que todos são oriundos da mesma semente e respiram o mesmo ar, o que é muito diferente da fundamentação da irmandade no amor de Deus, com o qual todos são amados. Esse amor unifica em uma nova comunhão até então não-existente, cuja base reside no Senhor e que chega à expressão humana abrangente na carne. Nessa koinonia (comunhão de amor) já não existem desprivilegiados, porque o amor faz com que todos tenham vantagens: especialmente para mim, mais ainda mais para ti e muito mais ainda para a vantagem temporal e eterna de Onésimo. Sim, essa vantagem do amor abarca tempo e eternidade (por breve tempo – para sempre), a vida terrena, humana, e a vida eterna presenteada por Deus (tanto na carne como também no Senhor). Essa expressão possui relevância central, embora ocorra unicamente aqui. Carne designa a esfera humana, social-secular. A irmandade presenteada no Senhor também terá conseqüências para os relacionamentos humanos, profissionais e sócio-econômicos.
Embora na ordem social vigente Onésimo ainda seja considerado legal-mente como mercadoria, ele passa a entender a si mesmo de outra forma, desde que Jesus entrou em sua vida e experimentou o amor de pessoas que o tratam como semelhante, como irmão amado, e que o acolheram em seu coração, como fez Paulo. Todavia isso não pode nem vai bastar, assim como tampouco Paulo se limitou a isso. Utiliza para o escravo fugitivo uma maneira de tratamento que, não obstante a discrição e ternura no tom da carta, permite depreender que o reconhecimento da humanidade plena e a experiência da irmandade por fim precisa levar à libertação plena não apenas no Senhor, mas também no âmbito secular-social, i. é, à anulação legal da escravidão juridicamente ancorada.
Essa anulação legal devia ser precedida pelo amor, primeiro na esfera dos relacionamentos humanos e na realidade micro (do que a carta a Filemom representa uma prova), depois cada vez mais pelo exemplo contagiante nas igrejas, que como sal da terra e luz do mundo foram chamadas a ser precursoras e primeiros sinais do senhorio de Deus. Por fim o amor poderia causar a mudança da lei no âmbito macro. Não deixa de ser doloroso que esse processo tenha durado tanto tempo, não porque as necessidades históricas obrigassem a isso, mas por causa da dureza de coração daqueles que durante séculos professavam o amor de Deus, mas que não lhe proporcionavam plena influência nas ordens sociais do mundo.
No entanto, mesmo a libertação legal dos escravos em escala mundial não deixa de ser apenas libertação provisória do ser humano para sua humanização. Sucedem-se formas novas e muitas vezes piores, porque ocultas, da escravização humana, do trabalho forçado e da exploração. Justamente por isso toda ajuda, por menor e mais provisória que seja, para “ser mais que escravo” é boa e “proveitosa para o ser humano”.
4. Pedido a Filemom para que realize mais uma bondade – Fm 17-20
17 – Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo.
18 – E, se algum dano te fez ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta.
19 – Eu, Paulo, de próprio punho, o escrevo: Eu pagarei – para não te alegar que também tu me deves até a ti mesmo.
20 – Sim, irmão, que eu receba de ti, no Senhor, este benefício. Reanima-me o coração em Cristo.
17 Na realidade é somente agora que o pedido apresentado no v. 10 cristaliza um conteúdo claro. Paulo não apenas envia o escravo de volta como se fosse seu próprio coração, mas – essa é a parte mais difícil – Filemom deve acolher Onésimo de tal forma como se nesse escravo recebesse o próprio Paulo. Para isso Paulo se estriba em sua participação conjunta na fé. Se desejares ser aprovado como companheiro nessa fé, faz aquilo para o que o Senhor te conduz: acolhe o escravo fugitivo como teu irmão amado.
18 Novamente Paulo transita do nível da comunhão de fé, na qual o amor sempre dá o primeiro passo, para o nível do direito. O apóstolo declara que está disposto a pagar a indenização pelos prejuízos de Onésimo, que pode ser reclamada legalmente. Podemos muito bem imaginar, embora não seja uma premissa obrigatória, que o escravo tenha furtado dinheiro ou bens para fugir. Porém, sob aspecto legal, a própria não-realização do trabalho representa um prejuízo para o patrão. Paulo deixa em aberto de que maneira o proprietário poderia ter sido prejudicado, o que significa uma deferência em relação a ambos. Somente é capaz de estabelecer a paz quem se posiciona entre as partes e se torna
solidário com ambos os lados, correndo o risco de ser rejeitado e alvo de suspeita. Muito mais difícil é unir como irmãos amados dois parceiros tão desiguais como um patrão e seu escravo!
Na esfera da lei humana isso de fato era inviável. Escravos fugitivos eram castigados duramente e muitas vezes com crueldade. Em Roma eles eram estigmatizados com um sinal na testa feito por um ferro em brasa. Conseqüentemente, um escravo assim estava marcado para sempre: esse foi um fugitivo! Para servir de exemplo preventivo, muitos escravos capturados também recebiam anéis de ferro soldados, e eram lançados às feras na arena ou crucificados.
19 Sob o aspecto legal Paulo somente podia fazer a oferta de indenizar a dívida que havia se formado. De próprio punho assina uma confissão de dívida, como era comum entre sócios comerciais. Essa pequena frase inter-calada permite vislumbrar a atividade literária do apóstolo. Em geral ele ditava as cartas a um secretário, assinando-as em seguida pessoalmente, ou também inserindo de próprio punho uma frase no meio do ditado. Sobre a frase paira uma leve ironia. Filemom compreenderá – novamente sem que Paulo o escreva textualmente – que o apóstolo não tem propriedade terrena da qual pudesse extrair recursos para pagar uma indenização, pois, sem meios e sem poder, jaz agora na cadeia. A formulação subseqüente, mais uma vez surpreendente, possui uma conotação quase hilariante: para não te dizer que a ti mesmo te deves a mim. Filemom está em dívida com o apóstolo, deve-lhe não apenas algo, mas a si mesmo, se bem que não em sentido legal (da forma como Onésimo deve a si mesmo, como mercadoria, ao seu proprietário), mas no amor, diante do qual ambos são devedores. Exatamente como Onésimo, também Filemom veio a conhecer o amor de Deus em Jesus por meio do apóstolo. Por isso também está pessoalmente em dívida, humanamente falando, para com o apóstolo. Os que abraçaram a fé assumem a dívida de sustentar com suas posses aqueles que lhes anunciaram a palavra. Além disso estão, como irmãos, em uma relação de dívida recíproca: sua dívida é “amar um ao outro”.
20 Com insistência máxima chega ao fim a parte principal da carta: Sim, irmão, desejo obter proveito de ti no Senhor. Não perguntes se o escravo te trouxe prejuízos e quanto ele pode ser útil para ti, mas pelo contrário, se e como tu podes ser útil para mim.
Tudo de bem que lhe fizeres beneficiará a mim. “Desejo alegrar-me sobre ti no Senhor”, quando souber que a ação do teu amor foi além de tudo o que pedi. Refrigera-me o coração em Cristo! Um irmão pode reanimar o coração do outro, quando dá espaço para o amor do qual ambos vivem. Os v. 7 e 20 expressam a mesma coisa, a repetição (depois de tudo que foi dito) sublinha e enfatiza como é premente que Filemom agora aproveite a oportunidade para confirmar seu amor. Ele o fará, Paulo tem certeza disso.
5. Perspectiva confiante para o futuro – Fm 21s
21 – Certo, como estou, da tua obediência, eu te escrevo, sabendo que fa-rás mais do que estou pedindo.
22 – E, ao mesmo tempo, prepara-me também pousada, pois espero que, por vossas orações, vos serei restituído.
21 No v. 8 Paulo escreve que não pretende se apresentar com autoridade apostólica e dar ordens sobre o que cabe a Filemom fazer, e apesar disso espera obediência. Não queria agir sem o consentimento do parceiro, e apesar disso pressupõe essa concordância. Será que ocorre aqui uma contradição velada, será que Paulo se contradiz? Não, porque o apóstolo não coage nem para a concordância nem para a obediência, mas confia no companheiro e em seu Deus que a resposta espontânea de fato será dada. Por um lado seu pleito de fato é um pedido do irmão que ama e confia, mas tal resposta não é sem compromisso, de cunho meramente particular, porque o que está em jogo não é ele pessoalmente ou somente ele, mas um irmão (v. 16), o bem (v. 6,14), o amor propriamente dito (v. 9). Como tudo que é realmente essencial e humano, isso em última análise não pode ser ordenado, mas somente ser pedido. Afinal, o próprio Deus se torna alguém que pede quando está em jogo a salvação temporal e eterna do ser humano. Por mais séria e insistentemente que sua palavra possa atingir o coração por meio de seus servos, ele continua sendo um Deus que pede: “Deus exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.”
Por essa razão Paulo pode declarar: Escrevo-te, confiando em tua obediência. Assim como Paulo se apresenta exortando, mas não obstante pedindo, em tom insistente, mas de forma alguma
ameaçador, pode-se reconhecer que em nenhum lugar ele detalha ou sugere o que Filemom, afinal, deveria fazer, embora não pairem dúvidas para o apóstolo quanto ao que seu amigo deve fazer e há de fazer: Sei (!) que até mesmo farás mais do que te digo. No entanto, permanece não-expresso de que consiste esse “mais”.
22 Junto com o que o destinatário da carta fará pelo apóstolo, a saber, assim como cumprirá além das medidas seu pedido referente ao escravo, assim ele também deve tomar providências para acolher Paulo como hóspede. Mais uma vez faz-se uma sugestão velada: assim como prepararás uma acolhida para o irmão Onésimo, assim recebe a mim. Ele começou a carta mencionando sua oração. Termina-a com a expectativa natural de que a igreja daquela casa ore por ele, por sua libertação da cadeia e por sua vinda. As-sim como Filemom e Onésimo lhe foram presenteados por Deus, assim Deus também o transformará – por meio das orações deles –, o apóstolo e irmão, em dádiva de bênção para a igreja.
FINAL DA CARTA
Saudações e voto de bênção – Fm 23-25
23 – Saúdam-te Epafras, prisioneiro comigo, em Cristo Jesus,
24 – Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores.
25 – A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito.
Por intermédio de Epafras havia se formado a igreja em Colossos, agora porém ele é co-prisioneiro do apóstolo em Cristo Jesus. Sobre as circunstâncias exatas que levaram a essa detenção sabe-se tão pouco quando sobre a libertação de Timóteo mencionada em Hb 13.23. Seja como for, dessas breves notas pode-se depreender que não apenas Paulo sofreu a sina da prisão, mas também outros colaboradores do evangelho. A boa notícia do amor de Deus não era ouvida e aceita sem resistência.
Marcos é o primo de Barnabé; Aristarco vem da Macedônia; acompanhou o apóstolo até Jerusalém e mais tarde até Roma. Demas ainda é colaborador do apóstolo Paulo, da mesma forma como na época da redação da carta aos Colossenses, mais tarde, porém, se distanciará de Paulo e o abandonará.
Todos esses colaboradores não são desconhecidos para Filemom e a igreja em sua casa. A menção de seus nomes e o envio de suas saudações solidifica os laços de fé e amor entre todos eles.
Junto com a transmissão dos votos de saudação Paulo roga a bênção sobre os destinatários. Na graça do Senhor Jesus Cristo todos eles foram aceitos. Foi com o anúncio dessa graça que começou essa carta breve e, apesar disso, tão rica em conteúdo (v. 3), e é assim que ela também encerra: a graça seja convosco!
APÊNDICES
1. Quanto à questão do escravismo
Na época de Jesus havia na Galiléia bem poucos escravos. Seu número já era maior em Jerusalém, e grandes multidões de escravos povoavam as metrópoles do mundo antigo, de modo que em diversos lugares fossem mais numerosos que as pessoas livres. Em Corinto os pobres e escravos tinham dificuldades de comparecer a tempo para a ceia do Senhor porque o trabalho os impedia. Isso levou a graves tensões na igreja (1Co 11.17,21,33). Escravos sem nome eram chamados de persas. Por isso Pérside não é nome de mulher, mas designa uma escrava (Rm 16.12: literalmente a amada escrava persa). Tabita (em grego Dorcas) é nome de escrava, comum entre os rabinos. Ela era uma alforriada que continuou usando o nome de escrava (At 9.36,40). No seio das igrejas os escravos eram iguais aos livres, porque Jesus se tornou escravo deles para libertar a todos para que fossem humanos (Fp 2.5s; Gl 3.28; 1Co 12.13; Cl 3.11). Contudo, a concretização dessa nova liberdade na prática gerou muita insegurança, tensão e resistência.
2. Em comparação com as condições dos povos adjacentes, as leis do AT acerca dos escravos são notoriamente humanas. Decisivo na legislação do AT era que todo hebreu que era (feito) escravo (p. ex., um pai podia vender a filha como escrava, Gn 21.7) tinha de ser liberto e ricamente presenteado (Dt 15.12-18) no máximo após sete anos, a saber, no chamado ano do jubileu (o ano em que soava o júbilo fazia parte das ordens de vida que Deus havia dado ao povo de Israel: Lv 25.8-16,23-55; 27.16s; Nm 36.4). Também todos os empréstimos e endividamentos tinham de ser perdoados no ano do jubileu (Dt 15.2). A libertação da escravidão e o alívio das dívidas formam uma unidade, porque o escravo era considerado mercadoria, “porque ele é seu dinheiro”. Dinheiro significa literalmente: uma rês (Êx 21.21). A cada sete anos o povo todo podia experimentar que a escravização do ser humano é algo que não deve existir, porque cada pessoa foi criada à imagem de Deus e chamada à liberdade. Dessa maneira era possível impedir o endurecimento e a desumanização total de uma estrutura social (a saber, a compra e venda de escravos como mercadoria). No entanto, por que isso não levou à modificação ou abolição completa do escravismo? A razão principal reside em que essa lei valia somente para os membros do próprio povo (sendo também nesse caso contornado da forma mais freqüente possível, como se pode depreender das advertências que eram emitidas diante do descumprimento da lei).
Contudo era permitido comprar escravos de outros povos ou roubá-los como despojos na guerra, e esses escravos podiam ser legados aos descendentes como propriedade inquestionável (Lv 25.46). Mesmo assim, uma mulher seqüestrada na guerra não podia ser transformada em escrava ou vendida como tal. Tinha de ser declarada esposa e desposada, ou demitida (Dt 21.10-14). O próximo que devia ser amado era o companheiro do próprio povo, não porém o membro de outro povo (Lv 19.18; 25.39-55). No entanto existe também aqui uma base para superar as barreiras do próprio povo: também o estrangeiro deve ser amado assim como amamos a nós mesmos e aos nossos, porque Israel igualmente foi estrangeiro no Egito (Lv 19.33s). Porém não é tirada a conseqüência final para o escravo, apesar de os hebreus no Egito também terem sido escravos (Lv 25.39-43). A escravização do outro que não pertence a mim, i. é, sua transformação em objeto e em mercadoria livremente disponível, deve estar profundamente arraigada na consciência decaída do ser humano.
3. Somente Jesus interpretou e aplicou definitivamente o amor ao próximo de modo radical e incondicional a cada criatura com semblante humano (inclusive o inimigo!). Ele próprio é esse amor radical em pessoa. No contexto do comentário sobre 1Tm 6.1s e Tt 2.9s levantei a pergunta em 1Tm (p. 270): “Por que a experiência dos donos que reconhecem nos escravos crentes „diletos irmãos‟ não levou muito antes à transformação da realidade social? Ainda que tenham sido inequivocamente impulsos cristãos e pessoas cristãs que por fim levaram à libertação dos escravos, por que isso demorou tanto?” Sim, olhando para Jesus impõe-se com maior insistência a pergunta por que esse novo amor não foi capaz de romper e anular a desumanidade legalmente instituída no mais verdadeiro sentido da palavra.
Não se pode objetar a essa pergunta que a influência do AT, afinal, foi muito grande. Por um lado o sacrifício de animais foi abolido terminantemente no culto, embora estivesse legalmente ancorado no AT e apesar de Jesus enviar os curados ao sacerdote, para que ofertassem um sacrifício (ou seja, o próprio Jesus não aboliu a instituição do sacrifício de animais no culto; cf. Mt 8.4; Lv 14.2-7).
Poderíamos alegar que na realidade essa seria uma instituição religiosa, enquanto o escravismo se refere ao âmbito social. Contudo, também no âmbito social, há no mínimo um exemplo que pode ser contraposto a essa alegação: a forma do matrimônio legalmente permitida e regulamentada no AT, segundo a qual o marido podia se casar com várias mulheres (Dt 21.15), igualmente foi substituída (como o sacrifício de animais) com surpreendente rapidez e unanimidade pelo matrimônio monogâmico (1Tm 3.2,12; Tt 1.6!). Nesse caso a palavra do Senhor foi ouvida e obedecida pela igreja,, que tornou a colocar no centro a vontade original de Deus (Mt 19.3-10). O amor manifesto em Jesus tornava explícito que um homem não pode adquirir e possuir mulheres como mercadorias. Apesar de a mulher, por causa desse amor, já não estar subordinada à reivindicação de mando do marido, mas passou a ser considerada como parceira do amor dele, a estrutura exterior da subordinação persistiu provisoriamente, não porque fosse justa ou condizente com o amor, e muito menos porque fosse ordem divina, mas porque agora podia e também devia ser superada e transformada de dentro para fora por intermédio do amor. A posição social inferior da mulher, porém, acabou durando mais tempo que a instituição do escravismo! (cf. Apêndice 4: A posição da mulher…, acima, p. 291-296, após o comentário a 1Tm).
4. Somente foi possível questionar o escravismo como instituição legal e finalmente aboli-la a partir de uma mudança na visão da pessoa humana: todo ser humano foi criado à imagem de Deus; e para cada pessoa Deus se tornou ser humano em Jesus. Jesus entregou a vida na morte em favor de cada ser humano, para que todos possam chegar à liberdade da filiação divina. Por isso o ser humano nunca mais deve ser tornado objeto, nunca mais pode ser considerado ou tratado como propriedade, e sua condição terrena nas ordens sociais já não decorre “por necessidade natural” de seu nascimento (a persistência da escravidão por meio de herança ou a contrapartida da nobreza por herança). O amor, conforme vivido e ensinado por Jesus, inaugurou nitidamente essa nova visão do ser humano, mas o amor de seus seguidores não influiu sobre o direito vigente nem o transformou, ou o fez apenas de forma muito lenta e com grande resistência.
5. Para a questão do escravismo é importante a relação entre instituição e pessoa. Sempre haverá instituição enquanto existirem pessoas, porque a pessoa (ela própria uma instituição, a saber, uma organização ordenada) não existe dissociada da instituição. Mas toda instituição humana (inclusive toda instituição legal) torna-se desumana quando é dominada pelo poder, ao invés de ser mantida aberta pelo amor e colocada a serviço do ser humano. Por isso Jesus declara expressamente que a instituição sócio-religiosa do sábado foi criada por causa do ser humano (como garantia, sinal e lugar da liberdade; cf. o ano do jubileu, no qual os escravos eram alforriados!), e não o ser humano por causa do sábado (Mc 2.27s). Mas o ser humano (religioso) desdobrou e abusou da dádiva do sábado como um meio de exercer poder, a fim de escravizar o ser humano. A instituição, que visava celebrar e preservar a liberdade do ser humano em Deus tornou-se superpoderosa, sobrecarregando e escravizando o ser humano com canseiras.
6. Igualmente relevante é a pergunta sobre a relação entre amor e direito. Por meio do amor concretizado por Jesus, o escravo torna-se “mais que um escravo” (Fm 16), que é o efeito do amor no âmbito da convivência humana. E somente por causa desse “mais que escravo” torna-se possível que também a posição legalmente institucionalizada do escravo possa ser questionada e alterada, porque somente agora também se tornou explícito que, como escravo, ele era “menos que um ser humano”.
O amor na esfera da ética social referente às instituições entre as pessoas (e entre os países) preocupa-se com o direito de todos os desprivilegiados. Unicamente o amor pode e vai cuidar para que a lei constitutiva do direito (“a cada um o que é dele”) não seja interpretada em favor dos fortes e às custas dos fracos.
7. O fundamento bíblico para a ligação entre amor e direito, entre espiritual e secular, entre esfera pessoal e social é oferecido em muitas passagens e de maneira muito significativa justamente na epístola a Filemom. Paulo escreve (v. 16): “Envio-te de volta o escravo fugitivo, não mais como escravo servil, mas como algo muito mais belo: como um irmão dileto. Isso ele há muito se tornou para mim, e quanto mais para ti! Um irmão, porque pertence à comunhão familiar, um irmão, porque junto contigo é propriedade do Senhor.” Essa frase fundamental está sendo citada conforme a tradução de Jörg Zink, porque o duplo aspecto de ser irmão se expressa da melhor maneira pela repetição. Textualmente a expressão, que ocorre somente aqui, é: tanto na carne como no Senhor (kai en sarki kai en kyrio). Poderíamos parafrasear isso também assim: tanto referente à condição humana como à vida de cristão, tanto no sentido secular e social como no intelectual-espiritual. Onésimo é agora, em sentido abrangente, “mais que escravo”. Tanto em termos humanos como também na fé ele se tornou irmão. A condição de escravo foi cabalmente superada, ainda que a instituição formal persista (provisoriamente). Um dia também será dissolvida de dentro para fora.
Estranhos são os escrúpulos de muitos comentaristas que não acreditam que o apóstolo tenha confiado em Filemom para que não apenas não punisse o escravo, mas lhe concedesse a liberdade. Afinal, Paulo escreve: “Sei que farás ainda mais do que digo” (v. 21). Porque ao “ser mais” do v. 16 segue imediatamente o “fazer mais” do v. 21. Trata-se do “mais” do amor, que transcende a lei e por isso cumpre a lei e a supera ao cumpri-la.
Quando o escravo se torna irmão tanto na comunhão da fé como no âmbito social-secular, a estrutura legal da sociedade escravista foi rompida, derrotada, superada já na raiz, de dentro para fora. Foi superada porque o amor não busca simplesmente o contrário de um escravo, ou seja, um escravo emancipado ou uma pessoa chamada livre (que liberdade possuem os livres que toleram e conservam uma sociedade escravista?), mas um irmão. Uma pessoa livre não é “mais que um escravo”, ela é apenas o contrário do escravo. Um irmão, porém, é mais que um escravo ou livre, e irmandade na fé e no amor é mais que uma ordem jurídica de convivência.
“O amor abre mão do seu direito, não do direito em si. O próprio cristão proporcionará a todos o que é correto e justo (Cl 4.1), mas para si mesmo sempre colocará o amor acima do direito. Tão certo, portanto, como as estruturas sociais vigentes e ordens jurídicas não são anuladas, tão certo é que tampouco são sancionadas como instituições rígidas, mas examinadas criticamente à luz do amor, transformadas, corrigidas e acionadas, e quando não servem à concretização e prática do amor, abre-se mão delas. Dessa maneira o amor se mostra mais uma vez como superior até mesmo das normas determinadas pela criação, sim, como norma absolutamente suprema da vivência cristã” (W. Schrage, Die konkreten Einzelgebote in der paulinischen Paränese, Gütersloh 1961, p. 266).
8. Por meio da rendição ao amor do Senhor Jesus o escravo não se torna simplesmente um emancipado, mas um irmão, i. é, um “alforriado do Senhor” (1Co 7.22). Essa liberdade “no Senhor”, contudo, é fundamental e decisiva, situando-se acima de todas as liberdades relativas de que o ser humano usufruirá (ou carecerá) nas ordens sociais existentes. Por causa dessa permanente primazia é compreensível que o NT não fale de uma transformação exterior e ativa do mundo, muito além do fato de que a situação histórica naquele tempo era bem diferente de hoje. Por isso se pode dizer e demonstrar com razão que Paulo (como também Jesus) adota do entorno o que de forma geral era considerado decente, no que também se incluía ter escravos!
A novidade decisiva não era a mudança das organizações sociais exteriores, mas a convivência “no Senhor”, que também modificava os relacionamentos humanos. Todavia, derivar daí a conclusão de que a mudança exterior das estruturas sociais não é importante, nem necessária, nem mesmo possível, é algo que a Bíblia proíbe, porque o que se tornou possível e real “no Senhor” igualmente visa tornar-se, no Senhor, carne: “tanto na carne como no Senhor.”
A transformação e melhoria do tecido social e de suas instituições é possível porque elas não representam ordens eternas e absolutas. Ela é necessária porque cada instituição, pela acumulação de poder e por sua duração, corre o constante perigo de oprimir o que é humano e transformar as pessoas em objeto (o ser humano não existe para o sábado, mas o sábado para o ser humano). Ela é importante porque a palavra de Deus transformada em carne pressiona incessantemente para a humanização e porque a fé na salvação pessoal e a irmandade eclesial “no Senhor” estão abertas para a irmandade “na carne” em direção das ordens sociais seculares. A humanidade plena, conforme trazida por Jesus, abarca a salvação pessoal na fé, a irmandade no Senhor e o amor em todos os relacionamentos com o semelhante neste mundo. Quando se tenta prescindir das necessárias conseqüências da fé no âmbito social e político, a vida integral na fé não é viável sem nefastas contradições. Já em Justino, o mais importante apologista do séc. II, essa estranha contradição é nitidamente visível. Por um lado ensinava que era melhor “liberar as pessoas do que escravizá-las”, mas por outro reivindicava ao mesmo tempo em que sua legislação seria fundamentada e justificada divinamente, uma legislação que ele havia adotado sem questionar a sistema social do entorno gentílico.


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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

UM LIVRO MARAVILHOSO

BÍBLIA SAGRADA UM LIVRO MARAVILHOSO!
E se você pensa que a Bíblia é como qualquer outro livro que jamais foi escrito continue lendo. 
Quando terminar de ler este postrs VOCÊ RECONHECERÁ QUE A BÍBLIA É UM LIVRO MARAVILHOSO!

”A Bíblia foi escrita milhares de anos atrás. E nós já estamos em pleno século 21! E Temos visto o homem ir à lua. Temos visto a humanidade dar grandes passos na conquista dos mistérios mais escondidos do universo. A Bíblia foi escrita milhares de anos atrás por homens com um conhecimento muito mais limitado que o nosso. Porem Com seus limitados conhecimentos, como poderiam eles ter escrito sobre certas coisas?

ANALISEMOS ALGUMAS:
Lucas 17:30-34 "Assim será NO DIA em que o Filho do homem se há de manifestar... NAQUELE DIA... vos digo, NAQUELA NOITE..." Ninguém nos dias de Lucas pensou que poderia existir dia e noite ao mesmo tempo! Eles pensavam que a terra era plana! Lucas foi escrito em torno do ano 65 d.C. Como sabia Lucas de algo que os cientistas não souberam até o século 16?

Isaías 40:22 "Ele é o que está assentado sobre o CÍRCULO DA TERRA”. Como, no ano 700 a.C., sabia Isaías que a terra era redonda? Os cientistas dos dias de Isaías pensavam que a terra era plana. Não descobriram que a terra era redonda até o princípio dos anos 1500, quando Magalhães navegou ao redor do mundo. Como é que Isaías sabia de algo mais de 2000 anos antes da ciência?

Jó 26:7 "... e suspende a terra sobre O NADA”. Durante o tempo de Jó, era crido que um deus chamado Atlas sustentava a terra sobre os seus ombros! Ninguém acreditava que a terra “pairava suspensa sobre o NADA!” Jó é o mais antigo livro na Bíblia! Foi escrito há mais de 3500 anos atrás! Como é que Jó soube de algo que era IMPOSSÍVEL saber durante os seus dias?

Gênesis 2:7 "E formou o SENHOR Deus o homem do PÓ DA TERRA, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. Seguramente, você não toma Gênesis seriamente. Toma? Em novembro de 1982, Seleções do Reader's Digest incluiu um artigo com o título “Como a Vida na Terra Começou”. Este artigo declarou que, de acordo com cientistas no Centro de Pesquisa da NASA em Ames, os ingredientes necessários para formar um ser humano podem ser encontrados NO BARRO. O artigo disse, ainda, “O cenário descrito pela Bíblia quanto à criação da vida vem a ser NÃO MUITO DISTANTE DO ALVO”. (Seleções do Reader’s Digest, novembro de 1982, p. 116). Não, a Bíblia “não passou não muito distante do alvo” – ela atingiu exatamente o alvo! Os cientistas têm rido da possibilidade de Gênesis ter qualquer credibilidade científica, todavia – quanto mais aprendemos, mais descobrimos que a Bíblia é CIENTIFICAMENTE EXATA!

Salmo 8:8 "... tudo o que passa pelas VEREDAS DOS MARES”. Depois de ler Salmo 8:8, Matthew Maury, um oficial da Marinha dos Estados Unidos da América, lançou-se ao empreendimento de localizar estes curiosos “caminhos nos mares”. Descobriu que os oceanos têm caminhos que fluem através deles. Maury se tornou conhecido como o “descobridor das correntes marítimas”. Como é que Davi (o escritor do Salmo 8) soube, há mais de 2000 anos atrás, que havia “caminhos nos mares”? Davi, provavelmente, nunca sequer viu um oceano! COMO É QUE ELE SOUBE?

Eclesiastes 1:7 "Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr." Como é que o escritor de Eclesiastes sabia do ciclo de condensação e evaporação da água? O sol evapora a água do oceano, o vapor da água sobe e se transforma em nuvens, a água nas nuvens cai de volta para a terra como chuva, se ajunta formando rios, e estes correm de volta ao oceano. Isto não foi conhecido até ser descoberto por Galileu, em 1630! Como é que o escritor de Eclesiastes soube disto no ano 1000 a.C., 2500 ANOS ANTES QUE A CIÊNCIA?!

Levítico 15:13 "Quando, pois, o que tem o fluxo, estiver limpo do seu fluxo, contar-se-ão sete dias para a sua purificação, e lavará as suas roupas, e banhará a sua carne em ÁGUAS CORRENTES; e será limpo”. Deus disse para lavar a carne infectada em ÁGUA CORRENTE. A ciência não descobriu aquilo até surgirem dois homens chamados Pasteur e Koch, nos anos finais dos anos 1800. Todos os médicos de um hospital lavavam suas mãos em uma mesma bacia de água, dia após dia, e disseminavam os germes com a velocidade, facilidade e mortandade com que fogo se espalha num capinzal seco. Não foi até a invenção do microscópio e o surgimento da ciência da bacteriologia que os médicos começaram a lavar as mãos sob ÁGUA CORRENTE. Levítico foi escrito em torno de 1490 a.C. A CIÊNCIA FICOU CERCA DE 3000 ANOS ATRASADA! Não é embaraçoso quanto a ciência sempre se atrasa cerca de 2000 anos atrás daquele Livro tão maravilhoso?!

Jó 38:19 "Onde está O CAMINHO onde mora a luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar”. Como é que Jó não disse onde É O LUGAR aonde a luz mora? Porque a luz está sempre se movendo. Como é que Jó soube de algo no ano 1500 a.C. que a ciência não descobriu até Einstein? Como podem os homens que escreveram aquele Livro maravilhoso, com o limitado conhecimento científico da época deles,... SEREM TÃO À FRENTE DA CIÊNCIA?

Eclesiastes 1:6 "O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta FAZENDO OS SEUS CIRCUITOS”. Como é que o escritor de Eclesiastes soube que o vento viaja formando circuitos? Como é que o escritor soube de algo que os aerologistas e os meteorologistas descobriram há tão pouco tempo? PENSE A RESPEITO DISSO! Como podem estes homens, com o limitado conhecimento científico da época deles, milhares de anos atrás, estar tão adiantados com relação à ciência?

Provérbios 6:6-8 "Vai ter com a formiga... na sega ajunta o seu mantimento..." Life’s Nature Library, em “Os Insetos” (p. 163), comentando sobre Provérbios 6, diz "Um dos enigmas entomológicos do último século diz respeito a esta observação por Salomão. Não havia nenhuma evidência de que formigas, realmente, faziam colheitas de grãos. Em 1871, entretanto, um naturalista britânico mostrou que Salomão, afinal de contas, tinha estado certo..." Como Salomão soube aquilo no ano 1000 a.C.? Como Salomão, claramente, detalhou um FATO científico que era IMPOSSÍVEL que ele o soubesse no ano 1000 a.C.?

Provérbios 17:22 "O coração alegre é como o BOM REMÉDIO..." Um artigo no The Birmingham News, intitulado “Rir: Receita para Saúde”, disse que as mais RECENTES evidências médicas revelam que “A algum ponto durante o riso, seu corpo recebe UM MEDICAMENTO PRESCRITO, vindo da farmácia que está no seu cérebro”. Como é que o escritor de Provérbios soube daquilo – 3000 ANOS ANTES DA CIÊNCIA MÉDICA?

Levítico 17:11 "Porque a vida da carne está no sangue..." Esta é a mais acurada declaração científica, jamais feita, a respeito do sangue!

É o sangue que dá continuidade a todos os processos da vida, no corpo.

É o sangue que causa o crescimento, constrói novas células, faz crescer o osso e a carne, armazena gordura, faz cabelo e unhas.

É o sangue que alimenta e sustenta todos os órgãos do corpo. Se o suprimento de sangue for cortado de um braço, este imediatamente começará a morrer e apodrecer.

É o sangue que repara o corpo. Que cicatriza as feridas, que faz crescer nova carne, nova pele e mesmo novos nervos.

É o sangue que combate às doenças. Quando uma vacina contra uma doença lhe é dada, aplica-se uma injeção na sua corrente sanguínea.

Por milhares de anos, os médicos tratavam as pessoas com uma prática chamada de “sangria”. Pensavam que doenças poderiam ser curadas através da extração de sangue. Em 1799, menos de 200 anos atrás, George Washington foi, literalmente, sangrado até à morte. Os médicos sangraram o pobre George quatro vezes, da última vez tiraram mais de um litro de seu sangue! Eles não sabiam, mas estavam, literalmente, retirando a vida de George quando estavam extraindo o seu sangue. Não foi senão no início dos anos 1900 que um homem chamado Dr. Lister descobriu que o sangue provê o sistema imunológico aos corpos – A VIDA DA CARNE ESTÁ NO SANGUE!

"Quando DEUS Trabalha O HOMEM Muda"
Prof. Abdias Barreto

Contatos: (85).8857-5757. 
profabdias@gmail.com

domingo, 25 de novembro de 2012

AFIRMAÇÕES DE JESUS SOBRE SUA PESSOA

QUEM JESUS DISSE QUE ERA?
O início da vida humana de Jesus pode ser traçado em poucas palavras — Ele teve uma vida humilde e trabalhou em uma carpintaria na obscura aldeia de Nazaré. Entretanto, apesar dessa origem humilde, em nenhum momento Ele teve dúvidas sobre sua pessoa ou propósito. Assim que iniciou seu ministério público, Ele passou a ensinar e demonstrar a todos que era mais do que humano, que de fato Ele era Deus vindo em forma humana. Quando seus inimigos perceberam a importância de suas afirmações, pegaram em pedras para matá-lo (Jo 8.59; 10.31).
Finalmente, milhares de seus amigos e seguidores creram nele, confessando que “jamais alguém falou como este homem” (João 7.46). Eles nunca tinham ouvido alguém exclamar que “aqui está quem é maior do que Jonas” ou “aqui está quem é maior do que Salomão” ou “a principal pedra” está aqui ou o supremo “EU SOU” está aqui! (Mateus 12.41-42; Lucas 20.17; João 8.58). Jesus fez cada uma dessas afirmações, e outras mais. Ele sabia exatamente quem era: o divino Filho de Deus, a segunda pessoa da trindade.

Afirmações Corajosas Que Requerem Resposta

Meu amigo e colega de muitos anos, o Dr. Henry Morris II, um dos três maiores estudiosos que já conheci, fez o seguinte comentário sobre as afirmações de Jesus como divindade:
Tais afirmações devem ser estudadas cuidadosamente e com extrema seriedade. Elas foram feitas realmente pelo próprio Cristo e, de acordo com as regras da razão e da lógica, devem ser aceitas como verdade absoluta. Elas equivalem in toto a uma afirmação absoluta e dogmática: que Jesus Cristo é Ele mesmo o Deus eterno! Sendo assim, se uma pessoa desconsiderar ou rejeitar este fato, isto lhe custará a perda trágica e eterna de sua própria alma.

As alegações são muitas e variadas, mas todas resultam, tanto individual como coletivamente, na afirmação do caráter singular de Jesus como o eterno Filho de Deus. Uma amostragem disso é dada abaixo, sem qualquer comentário (porque nenhum é necessário):
 “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”(Jo 14.6)

“O Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados.” (Mt 9.6)

“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus.” (Mt 10.32)

“Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27)

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente.” (Jo 11.25,26)

“O Filho do homem é senhor também do sábado.” (Mc 2.28)

“Quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.” (Lc 9.24)

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida.” (Jo 8.12)

“Quando vier o Filho do homem, achará porventura fé na terra?” (Lc 18.8)

“O Filho do homem... veio para dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mc 10.45)

“Aquele... que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede.” (Jo 4.14)

“O Pai... ao Filho confiou todo o julgamento.” (Jo 5.22)
“Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mt 11.28)

“Os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem, viverão.” (Jo 5.25)

“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.” (Lc 21.33)

“Antes que Abraão existisse, EU SOU.” (Jo 8.58)

“Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.18)

“Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes de mim são ladrões e salteadores.” (Jo 10.7,8)

“Eu e o Pai somos um.”(Jo 10.30)

“Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, jamais terá fome.” (Jo 6.35)

Afirmações como essas poderiam ser acrescentadas em grande número. Lembre-se de que Ele, por não ter pecado, jamais o enganaria e que, sendo o mais sábio dos mestres, não poderia estar enganado. As reivindicações são verdadeiras, e as promessas, confiáveis. Frente a essa evidência incontestável, podemos apenas dizer, como o ex-cético Tome: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.28).

Uma Evidência Inquestionável

Os que alegam que Jesus estava confuso sobre sua identidade não devem ter lido os registros do evangelho. Não pode haver dúvida de que Jesus sabia que Ele era o Messias, como prova um incidente registrado em João 4.
Um dia Jesus encontrou uma mulher samaritana no famoso poço de Jacó. Jesus, que nunca havia encontrado antes aquela mulher, mostrou sua natureza divina dizendo-lhe (para sua enorme surpresa) que ela tivera cinco maridos e estava naquele momento vivendo com um homem, sem ser casada com ele. Imediatamente ela reconheceu que Ele era “um profeta” (versículo 19).
Após ter conversado com Jesus, ela fez uma declaração que indica que o conhecimento da vinda de um Messias estava bastante difundido, mesmo em Samaria. Esta mulher pecadora disse: “Eu sei... que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando Ele vier nos anunciará todas as coisas.” Observe o que Jesus respondeu: “Disse-lhe Jesus: ‘Eu o sou, eu que falo contigo’“ (versículos 25-26).
Nunca é demais enfatizar a importância dessa conversão, pois ela prova que mesmo as pessoas leigas naqueles dias sabiam sobre a vinda do Messias. E também uma aceitação clara e direta da parte de Jesus de que Ele era o Messias pelo qual as pessoas estavam esperando. Este texto deixa claro que Jesus não estava confuso sobre quem Ele era.

Seis Afirmações Específicas da Divindade.

O capítulo cinco de João contém a mais clara das afirmações de Jesus sobre sua divindade encontrada no Novo Testamento. Existem outras passagens abordando esse mesmo assunto, como já vimos acima, mas só nesse capítulo são encontradas seis citações. João, uma testemunha ocular dos eventos da vida de Jesus, em um único dia ouviu-o relacionar estas seis características de sua divindade. Tomadas em conjunto, elas provam que Jesus acreditava ser mais do que um homem, que de fato era Deus em forma humana.
Estas seis afirmações da divindade foram feitas a um grupo de líderes judeus que objetaram quando, em um sábado, Jesus curou um inválido.
Jesus tinha ido a Jerusalém para a festa da páscoa, como os homens israelitas deviam fazer três vezes por ano. Enquanto estava lá, Jesus foi visitar o tanque de Betesda, onde havia “uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos [esperando que se movesse a água...]”. João, uma testemunha ocular, relata a história:
Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe:”Queres ser curado?” Respondeu-lhe o enfermo: “Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.”
Então lhe disse Jesus: “Levanta-te, toma o teu leito e anda. “Imediatamente o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar. E aquele dia era sábado. Por isso disseram os judeus ao que fora curado: “Hoje é sábado e não te é lícito carregar o leito. “Ao que ele lhes respondeu: “O mesmo que me curou me disse: “Toma o teu leito e anda”. Perguntaram-lhe eles: “Quem é o homem que te disse: ‘Toma o teu leito e anda ? “Mas o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, por haver muita gente naquele lugar.
Mais tarde Jesus o encontrou no templo e lhe disse: “Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.” O homem retirou-se e disse aos judeus que fora Jesus quem o havia curado. E os judeus perseguiam a Jesus, porque fazia estas coisas no sábado (Jo 5.5-16).

O ensino decorrente desse acontecimento foi motivado pela exagerada devoção dos judeus à guarda do sábado, em obediência ao quarto mandamento. Eles desconsideraram o fato de que Deus já havia permitido algumas exceções a este mandamento, no Velho Testamento, para emergências e atos de bondade (Veja Números 28.9-10; 1 Samuel 21.1-6; Mateus 12.11-12). Alguns ficaram tão transtornados com esse milagre realizado no dia de sábado que procuraram matar Jesus, muito embora isto significasse uma violação do sexto mandamento. Para eles, Jesus tinha cometido um pecado imperdoável: tinha se considerado “igual a Deus”. Jesus justificou suas ações fazendo seis afirmações clássicas de sua divindade.
Embora esses atributos legítimos de sua divindade não abrangessem todas as características desta natureza demonstradas durante sua vida, eles provam que logo depois de deixar sua oficina de carpinteiro em Nazaré, Jesus proclamou, sem deixar dúvida, quem Ele era: Deus em forma humana. E Ele nunca desmentiu isso.

1. Jesus afirmou ser Deus encarnado

Ele respondeu aos fariseus: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” Portanto os judeus procuravam mais ainda matá-lo, porque Ele não somente desrespeitou o sábado, “mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (Jo 5.17-18).
Para defender seu trabalho no sábado, Jesus citou o exemplo do próprio Deus Pai, que trabalhou no dia de sábado, mesmo depois da criação. Na verdade, Deus “descansou” no sentido de que nenhuma ação criadora foi realizada no sétimo dia, mas Ele sustentou sua criação naquele primeiro sábado e em cada sábado desde então. Quando Jesus argumentou que estava “trabalhando” (ou fazendo o bem) no dia de sábado, Ele estava defendendo a prática de ações semelhantes àquelas de “meu Pai”. Os judeus imediatamente perceberam o que Ele estava querendo dizer — que era o Filho de Deus e, portanto, igual a Deus. Foi por isso que eles “ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”.
A mensagem de Jesus não podia ser mais clara. Ele se considerou “igual a Deus”.
No versículo 19 Ele amplia essa afirmação, sustentando que estava tão unido ao Pai que “o Filho” fazia coisas da mesma forma que o Pai. Jesus não hesitou em personalizar seu relacionamento com Deus de um modo impossível para os judeus. Abraão, Isaque e Jacó, seus respeitáveis antepassados, jamais tinham dito “Deus é meu Pai”, porém Jesus não vacilou em fazê-lo. Por quê? Porque Ele era “o Filho de Deus” em forma humana! Ele nunca recuou no uso deste título. E nunca se considerou apenas “uni Filho de Deus”, mas sempre “o Filho de Deus”. Para os judeus isto era uma terrível blasfêmia; para Ele era a confirmação de um fato.

2. Jesus afirmou seu poder de ressuscitar os mortos

“Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer” (Jo 5.21).
“Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.28-29).
Os judeus do tempo de Jesus (com exceção da pequena seita dos saduceus) acreditavam na ressurreição e na vida depois da morte. Por esta razão Marta pôde dizer a Jesus de seu falecido irmão Lázaro: “Eu sei... que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia” (João 11.24). Como todos os judeus, ela tinha aprendido esta doutrina desde a infância. Mas os judeus acreditavam que somente Deus podia ressuscitar os mortos. Nesta passagem, Jesus alega que Ele é quem ressuscita os mortos.
Permita-me fazer-lhe uma pergunta: alguma vez você tentou ressuscitar os mortos? Certamente que não. Nós, humanos, nunca admitimos tal autoridade e poder. Muitas vezes como ministro do evangelho desejei ter poder para ressuscitar algumas pessoas como aquele jovem pai que deixou esposa e três filhas... ou aquele lindo bebê... ou aquele jovem levado no auge de sua vida. Mas, francamente, embora eu pudesse ansiar por esse poder, nunca fui sequer tentado a praticar esta ação. Por que não? Porque somente Deus pode ressuscitar os mortos! E este é o ensino de Jesus.
As Escrituras relatam quatro casos de ressurreição de mortos realizados por dois profetas (Elias e Eliseu) e por dois apóstolos (Paulo e Pedro). Mas em cada ocasião eles esclareceram que foi Deus quem os usou para realizar o milagre. Jesus ressuscitou um homem por seu próprio poder e foi o único que ressuscitou alguém morto há quatro dias. O que também não deve passar desapercebido é que Jesus não somente ressuscitou três pessoas, mas garantiu que ressuscitaria tanto os justos como os injustos no dia do juízo. Seus ouvintes estavam perfeitamente familiarizados com a profecia de Daniel de que haveria dois tipos de ressurreição no final dos tempos: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno” (Daniel 12.2). Em João 5.29, Jesus está nitidamente afirmando ser aquele que realiza essas ressurreições. Tal afirmação podia ser feita somente por Deus ou por alguém desequilibrado mental. E uma vez que sua vida, ensinos e ministério não indicam nenhum distúrbio mental, e sim, como veremos, manifestam muitas características divinas, somos forçados a concluir que Ele era realmente o unigênito “Filho de Deus” em forma humana.
O fato de Jesus ter demonstrado poder para ressuscitar três pessoas mortas durante seu ministério (fez isso quando esteve em funerais) e levantar-se de seu túmulo ao terceiro dia, lançando os fundamentos da religião que leva seu nome, coloca diante de toda a humanidade uma pergunta essencial: “Quem possui vida em si mesmo e poder para ressuscitar os mortos?” Resposta: “Somente Deus!”

3. Jesus afirmou ser o futuro juiz de todos os homens

 “E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o julgamento” (Jo 5.22).

Os seres humanos sabem intuitivamente que algum dia serão julgados por Deus, de acordo com aquilo que fizeram na terra. Muitos que semearam o mal adotam o ateísmo, temerosos da justiça de Deus. Tentam com isso rejeitar tanto Cristo como Deus, e por conseguinte o dia do juízo. Se, por alguma razão, eles rejeitam a existência de Deus, podem também lançar dúvidas sobre o encontro final com Ele no dia do juízo — pelo menos até o momento da morte, quando tais fantasias desaparecem. Nesta encruzilhada, alguns — como o cético francês Voltaire ou o moderno humanista francês Sartre — entram na eternidade sem Cristo, gemendo de pavor e desesperança.
Para nossos propósitos aqui, é importante notar que Jesus Cristo afirmou publicamente que nenhuma pessoa, em sã consciência, jamais pensaria de si mesma: “Eu sou o Deus soberano que irá julgar todos os homens.” Esta é uma prerrogativa impossível a qualquer pessoa — exceto, naturalmente, se Ele for verdadeiramente Deus. Jesus de Nazaré fez exatamente esta afirmação. Portanto, Ele se considerava divino e ensinou abertamente que um dia todos os seres humanos comparecerão diante dele para serem julgados.
Jesus ensinou claramente que haverá um julgamento final e sabemos por outras passagens bíblicas que tal veredicto será eterno. Se você nunca aceitou Cristo como seu salvador, alguma vez já parou para considerar que, quando estiver sendo julgado diante do “grande trono branco” (Apocalipse 20.11), você irá enfrentar a mesma pessoa da trindade que morreu na cruz por seus pecados como um substituto voluntário? Naquele momento você terá de admitir que o rejeitou. Se você acredita que Deus passará por cima de seus pecados e de sua rejeição a Cristo, sua crença não pode ser baseada na Bíblia, pois ela ensina claramente que Jesus é o único caminho para a salvação (João 14.6; Atos 4.12). E todos que o rejeitam prestarão conta disso.
“De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu o retribuirei/ E outra vez: O Senhor julgará o seu povo/ Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.29-31).

4. Jesus afirmou ser tão digno de honra quanto Deus

“...a fim de que todos honrem o Filho, do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou” (Jo 5.23).

Quando Jesus disse que, assim como os homens honravam e adoravam a Deus, deveriam igualmente honrá-lo e adorá-lo, Ele estava novamente afirmando não possuir uma natureza simplesmente humana. A prova de que os judeus consideraram a afirmação uma grande blasfêmia é observada em sua tentativa subseqüente de matá-lo. Honra e adoração a Deus eram partes integrantes da fé judaica há vários séculos. A reverência a Deus era tão grande que eles nem mesmo pronunciavam seu nome em voz alta. Entretanto, Jesus afirmava abertamente ser tão digno de honra quanto o Pai, pois era igual a Ele.
Quase cinqüenta anos depois, o apóstolo João escreveu que uma das condições essenciais para a salvação era honrar o Filho do mesmo modo como honramos o Pai  (1 João 2.23; 4.15; 5.10-12). Não ofendemos a Deus por honrar igualmente o Pai e seu Filho; pelo contrário, recebemos a bênção de Deus todas as vezes em que honramos a ambos.

5. Jesus afirmou a autoridade de conceder vida eterna

“Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).
Outro desejo universal encontrado em cada coração humano é o de viver para sempre. As religiões do mundo anunciam a vida após a morte como sendo um paraíso [algo como um eldorado terrestre], “nirvana” [paz ou quietude perpétua] ou qualquer outra coisa que identificam como “céu”.
Somente os doutrinados no ateísmo podem dizer com alguma convicção: “Quando você morre, está tudo acabado”. E mesmo alguns deles têm mudado de opinião com a aproximação da morte.
Todas as religiões do mundo falham ao ensinar como as pessoas podem ter garantia de salvação eterna. Invariavelmente, elas prescrevem um sistema baseado em boas obras ou esforço próprio. No cristianismo não é assim. Jesus afirmou de maneira incontestável que tinha autoridade para proporcionar a salvação eterna e concedê-la a todo aquele que “ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou” (João 5.24).
A chave é crer que Jesus foi enviado por Deus e pode dar vida àqueles que crerem nele (isto é, depositam sua fé nele). Ele afirmou ser o próprio objeto da fé, capaz de outorgar a salvação. Isto, naturalmente, seria um absurdo se Jesus fosse apenas homem.
Mas, se Ele é Deus, como afirmou, então certamente tem a capacidade de conceder a vida eterna. E é isto que Deus faz!

6. Jesus afirmou ser a fonte da vida

“Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do homem” (Jo 5.26-27).
Jesus declarou corajosamente que partilhava sua natureza com Deus, tornando-se assim a fonte da vida. Os judeus tinham uma expressão para esta característica divina, usada pelo próprio Deus quando falou a Moisés na sarça ardente. Quando o povo perguntasse a Moisés: “Quem o enviou?”, ele foi instruído a dizer: “EU SOU me enviou” (Êxodo 3.13-14). Esta é a expressão suprema de Deus. Ela significa essencialmente que Deus é “o princípio de todas as coisas”.
Quando Jesus afirmou que tinha “vida em si mesmo”, exatamente como o Pai, isso equivalia a identificar-se com “EU SOU”, a causa não causada de todas as coisas. Não é surpresa, pois, encontrá-lo em João 8.58 usando este mesmo título para se identificar. Ele anunciou aos judeus: “antes que Abraão existisse, EU SOU.” Ao longo de seu ministério Ele desenvolveu este título, afirmando-o uma vez ou outra: “Eu Sou a luz do mundo... Eu Sou o caminho... Eu Sou a verdade... Eu Sou o Messias... Eu Sou a porta das ovelhas... Eu Sou o bom pastor... Eu Sou o Filho de Deus” (Veja João 4.26; 8.12; 10.7; 11.36; 14.6). Nenhuma afirmação mais forte da divindade podia ser feita por outra pessoa. Os judeus entenderam isto perfeitamente — razão por que tentaram apedrejá-lo. “Sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (Jo 10.33), disseram eles enfurecidos.
Após a leitura desta lista de seis afirmações, não podemos deixar de concluir que Jesus se considerava mais do que um simples ser humano. Ele sabia que era o Filho de Deus, que todo poder e autoridade residiam nele. Esta é a razão por que, na grande comissão após sua ressurreição, Ele lembrou a seus discípulos: “Toda a autoridade me foi dada” (Mateus 28.18).
A lista apresentada acima, por si só, prova que Jesus afirmava ser Deus em forma humana. Ele disse estas coisas publicamente, para que os outros pudessem chegar à mesma conclusão. Aqueles que aceitaram suas afirmações tornaram-se seus ardorosos seguidores; outros as rejeitaram e seguiram seus próprios caminhos. A salvação é sempre assim; Deus nos deu liberdade para crer nele ou rejeitá-lo, de acordo com nossa vontade. A escolha é sempre deixada para nós.
Fonte: Um Homem Chamado Jesus.
Tim La Haya.


"Quando DEUS trabalha O HOMEM muda!" 
Prof. Abdias Barreto
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